Quaest: 51% concordam mais com Lula sobre Flávio ter pedido tarifas a Trump

Outros 30% concordam mais com versão do senador sobre ele ter pedido aos EUA para não taxar o Brasil

Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo
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Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) que 51% dos entrevistados concordam mais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter pedido para o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, tarifar o Brasil.

O levantamento avaliou se os entrevistados concordam mais com Lula, que acusa Flávio de ter pedido o tarifaço a Trump, ou com o senador, que diz ter solicitado ao norte-americano para não taxar o Brasil.

No total, 30% concordam com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 19% não souberam responder ou não responderam.

Em junho, 47% concordavam mais com Lula e 35%, com Flávio. Na ocasião, 18% não souberam responder ou não responderam.

O instituto ainda confrontou os entrevistados com a seguinte pergunta: "Para Lula, as tarifas são retaliações ao Pix. Para Flávio, são reações as declarações de Lula contra os EUA. Com quem você concorda mais?".

Nesse cenário, 49% concorda mais com Lula e 33%, com Flávio. No total, 10% não concorda com nenhum dos dois e 8% não souberam ou não responderam.

O levantamento ainda questionou se os entrevistados acreditam que Flávio tem força para convencer Trump a rever as tarifas contra o Brasil.

Para 34%, sim, enquanto 58% acham que não. No total, 8% não respondeu ou não soube responder.

Entenda o caso

Flávio e Lula adotaram estratégias diferentes quando o governo dos EUA anunciou tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil em junho deste ano. A medida aconteceu após o senador brasileiro se encontrar com Trump na Casa Branca, em Washington, em maio.

Para o presidente do Brasil, Flávio se reuniu com o mandatário norte-americano para "pedir arrego" e novas tarifas ao Brasil. Em evento no campus do IFG (Instituto Federal Goiano), Lula comentou o caso e chamou o senador de "covarde".

"Todo covarde é assim. Fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir [...] Ele hoje dizendo que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. 'Trump, porra, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula'", destacou.

A declaração de Lula aconteceu após uma entrevista de Flávio Bolsonaro à Itatiaia, na qual ele disse ter pedido "expressamente" para Trump não taxar as empresas brasileiras.

"Eu pedi expressamente: 'não taxem as empresas brasileiras'. Em 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital, que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual", disse o senador.

Os EUA anunciaram novas tarifas contra produtos brasileiros na quarta-feira (15). Nas redes, Flávio voltou a afirmar nesta quinta-feira (16) que "a culpa do tarifaço é do Lula".

"Enquanto eu estava nos EUA tentando evitar o tarifaço, Lula preferiu provocar Trump. O Brasil sequer enviou representantes para defender os nossos interesses", escreveu no X.

EUA x Pix

A ferramenta financeira do Banco Central do Brasil, Pix, também é um ponto de discussão entre EUA e Brasil. Em julho do ano passado, a tecnologia de pagamentos instantâneos se tornou ponto de investigação do governo norte-americano.

O Pix é citado como um dos motivos para a recomendação de taxação de 25% sobre importações brasileiras, devido às investigações no âmbito da Seção 301 da Lei do Comércio de 1974.

O meio de pagamento é considerado "injusto e discriminatório" contra empresas americanas, por ser operado pela mesma organização que o regula, o BC, criando um conflito de interesses.

Metodologia

A Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores, entre os dias 10 e 13 de julho, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07181/2026.