Quaest: 81% discordam de fala de Lula sobre traficantes serem "vítimas"

Segundo pesquisa, maioria da população também não concorda com declaração do presidente sobre megaoperação ter sido "desastrosa"

Lucas Schroeder, da CNN Brasil, São Paulo
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Oito em cada dez brasileiros (81%) discordam da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre traficantes serem "vítimas de usuários" de drogas. É o que aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (12). Simultaneamente, 14% dos entrevistados dizem concordar com a afirmação do chefe do Planalto.

Foram ouvidas 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 6 e 9 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

A declaração de Lula ocorreu durante visita à Indonésia no mês passado. Na ocasião, o petista falava a jornalista sobre o combate ao tráfico de drogas.

“Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente. Os usuários, os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também. Você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra [...]. Então é preciso que a gente tenha mais cuidado no combate a droga”, disse Lula.

No dia seguinte, o presidente se retratou em publicação nas redes sociais. Segundo ele, sua frase foi "mal colocada".

"Quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado. Mais importante do que as palavras são as ações que o meu governo vem realizando, como é o caso da maior operação da história contra o crime organizado, o encaminhamento ao Congresso da PEC da Segurança Pública e os recordes na apreensão de drogas no país. Continuaremos firmes no enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado", escreveu Lula no X.

Fala de Lula sobre megaoperação no Rio

O levantamento de hoje também mediu a percepção dos entrevistados sobre a alegação de Lula de que a megaoperação contra o crime organizado no Rio de Janeiro, em outubro, foi "desastrosa". A ação, que deixou 121 mortos — entre eles, quatro policiais — foi a mais letal na história do país. Veja abaixo os resultados: