Renan Calheiros pede dados sobre operações da Caixa com o BRB

Requerimentos do Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ao TCU dizem respeito a fundos de previdência estaduais e aquisição de folhas de pagamento de servidores

Tainá Falcão e Davi Alencar, da CNN Brasil
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O presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), protocolou nesta sexta-feira (17) requerimentos pedindo que o TCU (Tribunal de Contas da União) encaminhe à comissão informações sobre a compra de ativos do BRB (Banco de Brasília) pela Caixa Econômica Federal.

Nos documentos, Renan pede que o ministro Bruno Dantas inclua no envio arquivos classificados como sigilosos, sob a intenção de investigar possíveis conexões do processo ao caso Banco Master.

Um dos requerimentos aborda a relação dos últimos 8 anos de operações e transações do BRB, com foco na investigação de fundos de previdência para servidores estaduais e municipais.

As requisições acompanham demais pedidos rotineiros da CAE desde que o colegiado começou a se debruçar sobre o caso Banco Master. Senadores investigam até onde o BRB está envolvido no processo de liquidação da instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

"É indispensável averiguar quais operações do BRB nos estados e municípios brasileiros podem guardar conexão com as ações delituosas do Banco Master", afirma o senador no documento.

Ex-presidente do BRB

Os pedidos ocorrem em meio à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O banqueiro passou por audiência de custódia e foi transferido, na tarde de quinta-feira (16), para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele foi preso preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes envolvendo o Banco Master.

Paulo Henrique afirmou, em conversa com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que seguia empenhado nas tratativas de interesse do agora ex-banqueiro e que estava "virando noite" para tentar resolver pendências da operação entre os dois bancos.

O BRB comprou ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Conforme os autos, as operações teriam alcançado R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente irregulares adquiridas pelo banco estatal, apesar de pareceres técnicos e jurídicos contrários à operação financeira.