Requerimentos da CPI não incluíram bilhões que foram para estados, diz Girão

Girão citou em entrevista à CNN que possui materialidade muito clara de rastreio da corrupção em contratos de compra de respiradores do Consórcio do Nordeste

Douglas Portoda CNNElis Franco

em São Paulo

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O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) afirmou nesta segunda-feira (30), em entrevista à CNN, que mesmo com o iminente fim das sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, da qual é membro, ainda não existem planos de incluir nos requerimentos o orçamento destinado a estados e municípios. Ele citou o Consórcio do Nordeste e disse que possui materialidade em documentos de registro de corrupção na organização que comporta os nove estados da região.

A Polícia Civil da Bahia cumpriu em junho três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão contra uma quadrilha que fraudou a venda de equipamentos hospitalares. O estabelecimento alvo da ação se apresentava como revendedor de respiradores e foi denunciado pelo Consórcio Nordeste, que tentou adquirir os produtos para auxílio no combate ao coronavírus, mas não recebeu a compra.

“Os requerimentos que vão ser votados essa semana não incluíram novamente a questão dos bilhões de reais que foram para estados e municípios. Onde a gente anda é impressionante as pessoas que ainda acompanham a CPI elas cobram ‘e ai, vocês vão deixar por isso mesmo?’ o Consórcio do Nordeste, por exemplo, por que ali tem uma materialidade muito clara de rastreio da corrupção de documentos que nós temos aqui. De uma certa forma isso não foi sequer olhado”, disse Girão.

Em julho, também em entrevista à CNN, Girão afirmou que aquela semana seria decisiva para “para descobrir o ‘calote da maconha’, que foram aqueles 300 respiradores comprados pelo Consórcio Nordeste e que até hoje não foram entregues ao povo”.

Em nota enviada à CNN, a assessoria do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do Consórcio do Nordeste, reiterou que “procedeu à rescisão unilateral e adotou as medidas jurídicas cabíveis, declarando a empresa Hempcare Pharma Representações LTDA inidônea para licitar e contratar com a Administração Pública. Para a restituição dos valores pagos, a Procuradoria Geral do Estado da Bahia propôs Ação Judicial, na qual houve o bloqueio de bens e aguarda desfecho perante o Poder Judiciário.”

“Para além do descumprimento do contrato, tendo ficado evidenciada a ação criminosa de empresários inescrupulosos que, aproveitando-se da pandemia, fizeram uso de documentos falsos no processo de contratação, o Consórcio Nordeste comunicou o fato à autoridade policial que instaurou Inquérito, que culminou com a prisão e o bloqueio”, conclui a Nota.

Girão diz que está pedindo na CPI a quebra do sigilo bancário de Carlos Gabas, ex-secretário executivo do Consórcio do Nordeste e da farmacêutica chinesa Hempcare “que recebeu os 48,7 milhões e não entregou os respiradores”.

 

 

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