‘Rolando Alexandre é plano B de Bolsonaro’, avalia ex-ministro Eugênio Aragão

Ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão avaliou nomeação de braço direito de Alexandre Ramagem

Da CNN, em São Paulo

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O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão afirmou à CNN, nesta segunda-feira (4), que considera a nomeação de Rolando Alexandre para diretor-geral da Polícia Federal (PF) como um plano B escolhido por Bolsonaro. Rolando assume o cargo após a nomeação Alexandre Ramagem ser suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Dizer que Bolsonaro quis driblar o STF é uma mensagem muito ruim. Vejo [o Rolando] como um plano B. Ele é uma pessoa de confiança de Ramagem e acredito que esteja ali para esquentar a cadeira. [Isso] se o Supremo vier a discutir em plenário a decisão de Moraes e, por acaso, derrubá-la”, acrescentou.

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Diante disso, Aragão diz considerar que com a nomeação “venceu o bom senso”. “Porque, ontem à noite, se falava que o presidente estaria disposto a insistir no nome de [Alexandre] Ramagem, o que seria uma afronta direta à decisão do ministro e não seria uma boa coisa para o Brasil se houvesse esse tipo de confronto”, avaliou.

O ex-ministro ainda comentou a decisão de Moraes. “Nós não temos dúvidas de que é do presidente da República a prerrogativa de designar o diretor-geral da PF, mas é também de se levar em consideração que a administração pública se rege por diversos princípios que estão na Constituição, entre eles o da impessoalidade”, pontuou.

Com isso, Aragão diz que Ramagem pode ser visto como uma “solução caseira para resolver os problemas judiciais e policiais dos filhos do presidente” e disse que Moraes “tem conhecimento de causa” para a decisão, já que está está à frente do inquérito que investiga atos contra o STF. “Por certo, ele não gostaria da influência de Carlos Bolsonaro na PF, e isso o que fez barrar o nome de Ramagem”, avaliou.

Ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, fala à CNN
Ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, fala à CNN
Foto: CNN (04.mai.2020)

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