Sabatina de Messias deve ser tensa, diz cientista político da Arko Advice
Segundo o cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice, a nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal enfrentará resistência no Senado, mas deverá ser aprovada
A indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá enfrentar uma sabatina tensa no Senado Federal, mas seu nome tem grandes chances de ser aprovado. A avaliação é do cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice, em entrevista ao Hora H.
De acordo com Aragão, quando o nome de Messias foi anunciado, havia uma forte resistência por parte das lideranças do Senado, que tinham preferência por Rodrigo Pacheco. O cientista político destacou que houve irritação na cúpula do Senado pelo fato de Lula não ter comunicado diretamente a Davi Alcolumbre sobre a escolha.
"Isso gerou um melindre. A nomeação, se fosse colocada a voto naquele momento, no final do ano, corria sério risco. Mas o governo conseguiu segurar e agora deve passar", afirmou Aragão. Ele ressaltou que a aprovação não ocorrerá com uma margem confortável, lembrando que são necessários 41 votos para alcançar maioria absoluta no Senado.
O cenário político atual, segundo o analista, apresenta um Senado crítico ao governo e ainda mais crítico ao STF. Aragão mencionou que aproximadamente 40 a 41 senadores assinaram um documento pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, o que demonstra a complexidade do ambiente para aprovação de Messias.
Governabilidade caso a caso
Questionado sobre como o rearranjo na relação entre Alcolumbre e Lula poderia afetar outros interesses do governo no Congresso, Aragão foi enfático: "Governabilidade agora é assunto a assunto". Ele exemplificou citando que o governo conseguiu aprovar a reforma do Imposto de Renda por mais de 400 votos na mesma semana em que perdeu uma medida provisória.
"Essa questão de governabilidade de longo prazo, sólida, isso acabou, não existe mais", explicou. Segundo o cientista político, cada pauta depende de múltiplos fatores, como o posicionamento da sociedade civil, da imprensa, do setor produtivo, dos líderes empresariais e da relação entre ministros e lideranças específicas do Congresso.
Aragão concluiu que, no caso específico da nomeação de Messias para o STF, existe um acordo pontual entre Lula e Alcolumbre. "Estão de bem para esse assunto", finalizou o analista, destacando que a dinâmica política atual funciona de maneira fragmentada e não mais em blocos coesos de apoio.


