Saída de Moro arrefece esforço de transformação do Brasil, diz Barroso

Declaração foi dada antes da confirmação do pedido de demissão de Moro do Ministério da Justiça

O ministro do STF Roberto Barroso durante solenidade de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Brasília, 14 de setembro de 2018.
O ministro do STF Roberto Barroso durante solenidade de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Brasília, 14 de setembro de 2018. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Gabriela Coelho

Da CNN, em Brasília

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O ministro Luís Roberto Barroso,do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (24), afirmou em live que o juiz Sergio Moro representou a face da lava jato. E que a saída dele do governo “revela um arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil”. 

“A operação transcendeu o fato de ser um a operação policial e passou a ocupar um espaço imaginário social. Portanto, a lava jato significou uma mudança de paradigmas e mobilizou a sociedade de aceitar o inaceitável”, disse. 

Segundo Barroso, a corrupção era uma cultura que nos atrasou na história. Eu acho que a lava jato e a luta contra a corrupção deixaram de aceitar o inaceitável. 

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“O fato é que ele é o símbolo deste processo histórico. Isso [a saída] revela um arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil. E eu vejo que o Brasil já mudou, a sociedade não aceita mais, não é mais fácil acontecer de novo o que aconteceu na Petrobras, no Rio de Janeiro. Não é mais fácil acontecer desvios. Está cada dia mais difícil um vigarista andar na rua em paz. Acabamos com o corrupto rico que andava na rua como uma “pessoa de bem”. Acho que a história seguirá sua história independentemente de A e de B”, afirmou. 

Sobre série de protestos contra o isolamento social e favoráveis à intervenção dos militares que ocorrem em diversas cidades do país, o ministro afirmou que “a reação da sociedade, das instituições demonstraram o vigor da democracia brasileira. As decisões têm sido cumpridas. Isso é democracia. Não acredito que haja um golpe”, disse.  

Segundo Barroso, uma coisa parece certa: “Nós vamos demorar a voltar ao normal, se é que vamos voltar. A ideia é que vai existir um novo normal. Temos uma questão sanitária e a primeira coisa a fazer é permanecer vivo. Nós ainda vivemos uma curva crescendo na questão sanitária e ainda não encontraram uma solução melhor que o isolamento social. Além disso, temos o problema da economia. Nós vamos ter uma pressão econômica inevitável”, afirmou Barroso.

Eleições

Sobre as eleições, Barroso afirmou que a vontade dele é realizar as eleições municipais no primeiro fim de semana de outubro. “Espero que seja possível. Não é só o primeiro domingo de outubro, antes tem muita coisa para acontecer. Tem testes do ponto de vista do TSE, e do ponto de vista político, tem as convenções partidárias e o início da campanha em 15 de agosto”, disse. 

Segundo o ministro, se houver a observação que em agosto ainda não haverá a possibilidade de aglomeração, o adiamento será imposto. 

“Eu não gostaria de adiar, acho que há um risco de adiar, se tiver que adiar, gostaria que esse adiamento fosse por semanas, gostaria de fazer em novembro , gostaria que fosse na primeira semana de dezembro, porque ai daríamos posse na data certa”, disse. 

O adiamento, para o ministro, deve ser pelo prazo mínimo inevitável. “Sou radicalmente contra a prorrogação de mandatos, e mais ainda contrário a ser no mesmo período das eleições em 2022”, afirmou.

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