Sem aval para prorrogação, relator da CPMI prevê ler parecer na sexta (27)
Comissão de inquérito ainda aguarda julgamento do STF sobre decisão de André Mendonça que deu aval para estender prazo

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciou nesta quinta-feira (26) que, caso a comissão não seja prorrogada, fará a leitura do relatório final na sexta-feira (27). A apresentação do parecer dependerá da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que julga nesta tarde a possibilidade de prorrogação.
“Se terminar hoje o julgamento dizendo que não haverá elasticidade do prazo, eu terei a obrigação de amanhã [sexta-feira] fazer a leitura do relatório”, afirmou o relator a jornalistas no Senado.
O prazo de funcionamento da comissão de inquérito é até domingo (28). A cúpula da CPMI, no entanto, apresentou no Supremo um mandado de segurança para pedir a continuidade dos trabalhos. Na segunda-feira (23), o ministro André Mendonça, do STF, deu aval para a prorrogação por até 120 dias – a decisão será agora analisada no plenário.
Para Alfredo Gaspar, a CPMI tem os “pressupostos para a prorrogação”. Nos últimos dias, integrantes do colegiado têm articulado um entendimento sobre o prazo das atividades, se houver o aval do STF.
Como a CNN mostrou, parlamentares da oposição e o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), miram prorrogar os trabalhos por pelo menos mais 30 dias. Em outra frente, parlamentares da base governista também articularam um pedido para uma prorrogação de 15 dias.
Relatório em construção
O parecer de Alfredo Gaspar deve pedir o indiciamento de mais de 200 pessoas. O documento já conta com mais de 5.000 páginas, de acordo com o relator. Sobre o apoio ao seu parecer, o deputado afirmou que não deve fazer acordos para a retirada de pedidos de indiciamentos.
"Eu prefiro perder uma votação com um relatório honesto do que maquiar um relatório para ter uma vitória em votação. A minha preocupação é poder ler para o Brasil um relatório honesto. Se vai agradar ou desagradar a maioria dos parlamentares, não me importa", declarou.
Ele defende que, apesar de não haver respaldo jurídico, seja feita análise do relatório em bloco em relação ao que há consenso e a votação em separado de trechos em que houver discordância.
“Eu leio o relatório e os pontos de divergência são destacados e votados, mas não há segurança jurídica para esse caminho. Não há ainda uma decisão que diga que esse caminho pode ser efetivado”, comentou.
Se o colegiado for prorrogado, o relator afirma ser necessário que a comissão avance nas investigações em relação ao sistema financeiro.