Senadores querem dividir investigação sobre hospitais federais no RJ entre MPF, TCU e PF

Apuração sobre as unidades foi descartada pela CPI da Pandemia, mas ainda não há previsão de que informações coletadas sejam remetidas às autoridades

Plenário da CPI da Covid no Senado
Plenário da CPI da Covid no Senado 16/09/2021 REUTERS/Adriano Machado

Beatriz Puenteda CNN*

no Rio de Janeiro

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Com o término da CPI da Pandemia marcado para o fim de setembro, linhas de investigações paralelas que foram descobertas na comissão e que não foram exploradas terão outro destino. A CNN apurou que as investigações sobre desvios nos hospitais federais do Rio de Janeiro deverão ser desmembradas em órgãos como Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Polícia Federal (PF).

Como ainda não há previsão de quando o relatório final da CPI da Pandemia será encaminhado, as investigações paralelas, chamadas de acessórias, também não têm previsão para início. Até então, a comissão encontrou evidências de que contratos ilegais favoreciam determinadas empresas e grupos específicos. O montante de acordos sem licitação somava R$ 28,8 milhões.

Ao depor na CPI da Covid, em junho, o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou aos senadores que os hospitais federais do estado era “intocáveis” e tinham “um dono”. A participação do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, na escolha dos nomes que assumiriam o comando desses hospitais também foi levantada por Witzel na oitiva.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro negou as acusações e processou o ex-governador, para que ele esclareça em juízo o que quis dizer com o fato de as unidades federais terem “um dono”. Os advogados do senador dizem que o ex-juiz teria cometido crimes de calúnia, difamação e injúria contra o cliente.

Adversários nos tribunais, os dois eram aliados na eleição estadual de 2018, quando foram eleitos juntos. Witzel foi afastado do cargo para o qual foi em agosto de 2019, por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-governador sofreu impeachment, aprovado por unanimidade no Tribunal Especial Misto em abril de 2021 e está inelegível por cinco anos.

Em agosto, a comissão aprovou a convocação do ex-superintendente do Ministério da Saúde no estado, o coronel da reserva do Exército George da Silva Divério, do coordenador administrativo do Hospital Federal de Bonsucesso, Joabe Antonio de Oliveira, e outras cinco pessoas. Porém, nenhum desses depoimentos foi marcado pela comissão.

A rede federal de saúde no Rio de Janeiro tem seis hospitais: Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores do Estado. Há ainda outras três unidades especializadas: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Instituto Nacional de Cardiologia (INC).

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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