Skaf critica avanço da 6x1 durante período eleitoral: "PEC boca de urna"

Em entrevista ao CNN 360º, presidente da Fiesp pede que votação da pauta no Senado ocorra somente após as eleições de outubro

Da CNN Brasil
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A PEC do fim da escala 6x1 começou a andar no Senado, com o encaminhamento da pauta para a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Casa. Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), manifestou forte oposição à aprovação da proposta no atual contexto eleitoral.

Em entrevista ao CNN 360º desta quarta-feira (25), Skaf defendeu que possíveis motivações políticas de senadores que concorrem à reeleição contaminam o debate.

"O relator Omaz Aziz (PSD-AM) é candidato no Amazonas e age como candidato, ele está com pressa. Por que ele e o presidente Lula estão com pressa? Eles estão pensando na eleição, não nas pessoas, nos interesses da população brasileira", apontou Skaf.

Na avaliação dele, deixar a votação da pauta para depois das eleições traria razão à discussão: "O que está se fazendo é usar essa PEC como uma 'PEC boca de urna', com total interesse eleitoral".

Diante do avanço da proposta, Skaf anunciou que a Fiesp articulará um movimento junto a senadores que não são candidatos nestas eleições, por considerá-los mais livres de pressões eleitorais.

"Já temos uma reunião marcada segunda-feira aqui na Fiesp, com vários setores e várias entidades", declarou.

Skaf lembrou ainda que, em momento anterior, quando houve tratativas para adiar a votação com o presidente do Senado, cerca de 3 mil entidades de todo o Brasil assinaram um manifesto pedindo que as discussões fossem postergadas para depois das eleições.

"Ninguém nega discutir nada, mas não com motivação eleitoral. Não se pode fazer chantagem com os senadores, chantagem com os deputados", reforçou.

Para ele, o governo vendeu a pauta do fim da 6x1 como se fosse um benefício ou presente: "Só esqueceu de falar que tem uma conta e quem vai pagar essa conta são os mais pobres."

Ele também defendeu a chamada "PEC do Trabalho Flexível", que permitiria a negociação de escalas e jornadas por meio de acordos coletivos ou individuais, como alternativa mais adequada à diversidade setorial do país.

Para Skaf, a ausência de estudos de impacto é outro ponto crítico. "Nem a Câmara dos Deputados, quando aprovou, teve estudo nenhum e nem o Senado tem estudo nenhum", afirmou, questionando a transparência do processo.

Impacto econômico e pressão inflacionária

Segundo Skaf, a aprovação da PEC nos moldes atuais geraria um aumento de 18,2% nos custos das empresas. Ele explicou que a mudança da escala de 6x1 para 5x2 representaria um acréscimo de 9,1% nos custos, ao qual se somaria outro aumento de 9,1% decorrente da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

"O condomínio das pessoas vai subir direto, na veia", exemplificou. Segundo ele, setores como supermercados, serviços, prefeituras com contratos terceirizados e a indústria em geral seriam diretamente afetados.

Skaf também citou o exemplo do Chile, onde, segundo ele, uma mudança semelhante teria levado ao aumento da informalidade e do desemprego. "Há rotatividade também, começa a dispensa para se readmitir alguém a um custo menor", alertou.

O representante da Fiesp destacou ainda que, dos aproximadamente 45 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil, cerca de 30% atuam no regime 6x1, enquanto os demais 70% já operam em escalas distintas, fruto de décadas de negociações.

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