Três Poderes são independentes, Lula não pode interferir, diz Vieira à CNN

Em entrevista à CNN em Espanhol, chanceler brasileiro comentou não haver espaço para negociação sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro

Da CNN Brasil, São Paulo
Mauro Vieira é um senhor calvo. Ele usa óculos, um paletó preto riscado, gravata azul escura estampada e camiseta azul clara. Ela está em frente a um microfone.
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores  • 23/07/2024 - Alex Ferro/G20
Compartilhar matéria

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse, nesta segunda-feira (15), em entrevista à CNN em Espanhol, que os Três Poderes no país são independentes e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode interferir em outro.

Vieira falava sobre sanções dos Estados Unidos ao Brasil devido à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação que apura um plano de golpe de Estado após as eleições de 2022.

“Pedir que libere o ex-presidente por qualquer motivo que seja é uma interferência em temas internos e é algo impossível ao chefe de Estado, ao Lula, exercê-lo, porque os Três Poderes são independentes”, disse Vieira.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o país pode impor novas sanções ao Brasil nos próximos dias. "Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é sobre isso que – teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar", disse.

secretário de Estado americano disse que o julgamento de Bolsonaro "é apenas mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial que tentou atingir empresas americanas e até pessoas que operam a partir dos Estados Unidos", em referência a determinações do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para Vieira, "não há espaço para negociação sob pressão com relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro".

"Quanto a isso não podemos negociar nenhum milímetro. Isso é algo que está nas mãos da Justiça, que já ditou sua sentença. Quanto a isso, não há nada que se possa fazer porque está estabelecido na Constituição Brasileira de 1988”, prosseguiu.

Ainda de acordo com o chanceler brasileiro, Bolsonaro "está condenado e vai cumprir sua sentença. Quanto a isto, não há dúvidas, não há nada para negociar".

*Publicado por Douglas Porto