Venezuela faz alas do PT defenderem gasto militar e citam até bomba atômica

Nos bastidores, a avaliação é que a liderança do Brasil se perdeu na região, sendo ignorada por Donald Trump, o que exige uma postura de defesa mais robusta

Fernando Nakagawa e Julliana Lopes, da CNN Brasil
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A detenção de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos gerou uma reação inusitada no Partido dos Trabalhadores: alas historicamente avessas aos militares agora defendem o fortalecimento das Forças Armadas. Há, inclusive, quem cite bomba atômica.

Nos bastidores, a avaliação é que a liderança do Brasil se perdeu na região, sendo ignorada por Donald Trump, o que exige uma postura de defesa mais robusta.

Um caminho para reforçar o gasto militar seria ampliar ainda mais o recente mecanismo sugerido pela oposição (senador Carlos Portinho, do PL do Rio de Janeiro) e que foi aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Trata-se de um plano de R$ 30 bilhões em investimentos na Aeronáutica, Exército e Marinha para os próximos seis anos. O texto permite que o governo gaste R$ 5 bilhões anuais fora da meta fiscal.

A discussão chegou a situações surpreendentes. Grupos mais à esquerda questionam até mesmo a adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, assinado em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

O argumento, carregado de tom político, sugere que a renúncia à capacidade nuclear enfraqueceu a soberania nacional frente a potências globais.

A ideia, no entanto, é ponderada por uma ala da legenda, que admite a necessidade mudanças no sistema de defesa brasileiro, mas prega cautela.

Entre os críticos, há quem lembre a relação historicamente conturbada entre militares e o governo de esquerda, além do clima de desconfiança alimentado por episódios como o 8 de janeiro, em Brasília.

Para esses, o debate sobre ampliação dos investimentos militares deve estar atrelado à proposta que que obriga integrantes das Forças Armadas a passarem para reserva caso queiram ser candidatos.

A discussão sobre a despolitização dos quartéis empacou no Congresso Nacional e segue sem previsão de andamento em 2026.