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    Waack: Agir duro e ao mesmo tempo pacificar, é a grande interrogação

    O governo precisa agir de forma dura contra a barbárie. Mas vai agir duro numa atmosfera pra lá de polarizada na qual é muito alta a desconfiança em relação às instituições políticas

    William Waackda CNN

    Não tem nenhuma resposta fácil para o que aconteceu em Brasília no domingo. Tem o óbvio.

    Seguindo um líder fujão, responsável político pelos ataques à democracia brasileira, milhares de vândalos dedicaram-se a uma orgia de destruição.

    Mas atrás do óbvio pergunta-se qual é o grau de contaminação de forças de segurança em Brasília, que não cumpriram sua missão de garantir lei e ordem.

    Pergunta-se como foi possível tal falha de inteligência, que não teria enxergado o que estava sendo armado. Ou, se a inteligência apontou o que poderia acontecer, como assim os avisos foram ignorados? Foi omissão de autoridades, inclusive federais, além do governador do DF, ou só erro primário mesmo?

    Supõe-se que tudo isso será apurado, investigado, os responsáveis processados e, eventualmente, punidos.

    Mas há outras perguntas ainda mais abrangentes e sem respostas fáceis. Qual é o grau de confiança que o atual governo tem do ponto de vista político nas forças de lei e ordem, incluindo as Forças Armadas?

    Não podemos fechar os olhos para uma realidade muito preocupante. Num país profundamente dividido, milhões de pessoas que não votaram no atual governo repudiam sinceramente a violência e a barbárie do último domingo.

    Ao mesmo tempo em que são capazes de mencionar motivos, reais ou imaginados, para “entender” como se chegou a isso.

    O que nos leva a uma situação política das mais delicadas – a situação política na qual nos encontramos neste momento.

    O governo precisa agir de forma dura contra a barbárie. Mas vai agir duro numa atmosfera pra lá de polarizada na qual é muito alta a desconfiança em relação às instituições políticas.

    Agir duro, e ao mesmo tempo pacificar. É a grande interrogação.