Waack: Bolsonaro tenta transformar falas de palpiteiros em política de governo
Depoimentos à CPI da Pandemia mostram que presidente ouve articuladores de redes sociais, intrometidos e puxa-sacos e leva o que eles dizem a órgãos oficiais
No quadro CNN Poder desta quarta-feira (12), na CNN Rádio, William Waack faz um balanço dos depoimentos prestados até o momento à CPI da Pandemia e diz que eles criaram um quadro que mostra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ouvindo pessoas de fora para tentar transformar o que eles dizem em política de governo.
“Sabe qual a maior praga para um governante (e não estou falando só de Bolsonaro, mas de governadores, prefeitos e até presidentes de outros países)? É o puxa-saco. É a pessoa que vai lá no ouvido do mandatário dizer aquilo que ele quer ouvir”, disse Waack.
Um exemplo dessa situação que apareceu nos depoimentos prestados à CPI da Pandemia seria a reunião em que Bolsonaro recebeu uma proposta para mudar a bula da cloroquina por meio de decreto, como relatado pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e, ontem, confirmado pelo diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.
“O quadro geral que surge dos depoimentos até agora, especialmente o de ontem [terça-feira], do diretor-presidente da Anvisa, é o quadro de um presidente que ouve palpiteiros, ouve articuladores de redes sociais, ouve intrometidos e um monte de puxa-sacos e, aí, começa a querer que aquilo seja levado nos estudo de decisão de órgãos oficiais”, continuou.
Waack disse que essa situação aconteceu no Ministério da Saúde, já que decisões sobre medicamento, quaisquer que sejam, deveriam ser uma questão técnica.
“Mas aí entra essa turma: as redes sociais que falam o que ele [Bolsonaro] gosta de ouvir, os palpiteiros (que falam aquilo que ele acha que é certo) e ele acaba levando isso para o Ministério e deu na confusão que deu.”