Witzel diz que maioria dos governadores apoia veto a reajuste de servidores

Governador do Rio negou envolvimento com suspeitas de corrupção na compra de respiradores

Da CNN, em São Paulo

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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (21) que o sentimento majoritário entre os governadores dos estados é o de apoiar a intenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de vetar o reajuste a servidores públicos até o fim de 2021.

“Se o presidente viesse a vetar aumentos, havia uma maioria entendendo que realmente não é o momento. Realmente contribuindo, com uma análise do cenário nacional, para que o presidente vetasse o dispositivo aprovado pelo Congresso Nacional”, afirmou o governador.

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Pela manhã, em reunião com os governadores, Bolsonaro pediu apoio ao veto, que chamou de “remédio muito amargo”, para o funcionalismo, mas que considera ser “de extrema importância para todos os 210 milhões de brasileiros”.

O veto tem sido enfaticamente definido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que entende ser necessário conter a evolução dos gastos públicos dentro do pacote de ajuda federal aos estados e municípios. 

Wilson Witzel afirmou à CNN que enviou uma mensagem dentro da plataforma utilizada para a videoconferência pedindo uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro. Segundo Witzel, esta é a terceira vez que pede para conversar com o presidente da República e aguarda uma resposta. Ex-aliados, os dois trocaram críticas nas últimas semanas.

Paulo Marinho

A respeito do pedido do empresário Paulo Marinho, que denunciou um suposto vazamento de informação privilegiada sobre operações policiais para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Witzel afirmou que não pode conceder seguranças especiais a ele. Segundo o governador, o empresário deve recorrer ao Programa de Proteção à Testemunha, que existe para providenciar proteção policial a testemunhas de potenciais crimes.

Na visão de Wilson Witzel, as acusações feitas pelo empresário, que é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, “corroboram” as suspeitas de que há interferências políticas na Polícia Federal. O governador do Rio apoiou o ex-ministro Sergio Moro quando este pediu demissão do governo Bolsonaro acusando o presidente de ter a intenção de interferir na PF.

Witzel defendeu a aprovação de um projeto de lei que crie uma lista tríplice para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, limitando as opções de escolha do presidente da República. “É preciso aprovar uma lei no Congresso Nacional para que o diretor-geral da Polícia Federal seja nomeado por lista tríplice. Tirar essa nuvem que paira sobre as instituições, de serem cooptadas por interesses políticos que fazem tão mal á nossa democracia”, justificou.

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Suspeitas de corrupção

Witzel também comentou as mudanças no seu governo. Exonerado da secretaria de Saúde após denúncias de corrupção na compra de respiradores, Edmar Santos assumiu um novo cargo, de secretário extaordinário de acompanhamento da Covid-19.

Witzel afirmou que a saída e a volta de Edmar ao governo não estão relacionadas com o episódio que levou à prisão do ex-subsecretário estadual da Saúde, Gabriell Neves.

Segundo ele, houve a intenção de importar para o Rio o modelo adotado no governo de São Paulo, em que, além do secretário de Saúde, há um executivo responsável por articular ações entre diversas secretarias. Assim, segundo Witzel, Edmar terá função semelhante à do médico David Uip, que coordena o centro de combate ao coronavírus em São Paulo.

“A Secretaria de Saúde ficou pequena para a dimensão do problema”, argumentou. Na nova estrutura, Edmar cuidará da abordagem da pandemia com as outras áreas do governo — ele citou como exemplo pensar a retomada do setor da cultura, um dos mais afetados pela crise –, enquanto o novo secretário da Saúde, Fernando Ferry, fica responsável pela parte exclusivamente médica da pandemia.

Investigação

No começo da semana, a CNN noticiou a informação de que o próprio governador Wilson Witzel é investigado por suspeitas de envolvimento com a ação que levou à prisão de Gabriell Neves. Na entrevista, o governador do Rio afirmou não ter conhecimento do inquérito e disse que oficiou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a informá-lo se de fato é investigado e poder responder às suspeitas.

O governador do Rio também afirmou que não tem relação com o ex-subsecretário e que ele foi suspenso por sua decisão quando os fatos divulgados vieram à público. Witzel afirmou que a decisão posterior, de demitir Gabriell antes ainda da conclusão das investigações, foi tomada pelo então secretário da Saúde Edmar Santos.

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