Paul McCartney diz que sempre amará Lennon: "Não importava o que fizesse"
Os Beatles chegaram ao fim em 1970, cerca de dois anos após Ringo Starr deixar de trabalhar em conjunto com o restante dos cantores

O cantor Paul McCartney, 84, voltou a comentar sobre o começo de sua carreira com os Beatles e colocou um ponto final à relação conturbada com o antigo parceiro de banda John Lennon (1940-1980) durante uma exibição do documentário "Man on the Run", em Los Angeles, na terça-feira (29).
Ao longo da coletiva, McCartney relembrou os desentendimentos públicos que teve com Lennon e afirmou acreditar que o ex-colega "talvez esperasse mais dele" na fase final do grupo musical, de acordo com informações da Variety.
“Bem, não sei. Acho que talvez ele esperava algo diferente, e eu não estava fazendo isso. Eu só fazia coisas 'malucas'", declarou.
Embora tenha comentado sobre como as expectativas de John podem não ter sido atendidas durante o desfecho da banda e o início da carreira solo de cada membro, o cantor fez questão de destacar que "sempre amará" o artista e nada poderia mudar seu carinho por ele.
“Sabe, é uma daquelas coisas. Quer dizer, eu amava o John e o amo até hoje e sempre amarei. E não importava, como não importava, o que ele dissesse ou fizesse, porque eu o conhecia desde os 15 anos, então ele era tipo esse cara maluco que eu conhecia, e eu realmente o admirava [...] Eu sempre achei o John muito legal, e ainda acho. Mas ele podia ser um completo idiota em algumas coisas", declarou.
Logo em seguida, ainda que estivesse hesitante em admitir, McCartney comentou sobre os ataques que a dupla protagonizou nos primeiros álbuns solos. Ainda que estivesse relutante no início, ele acabou concordando que "Too Many People" teria sido o primeiro lançamento com indireta.
"O negócio é o seguinte: se você olhar para a vida dele, há motivos para ele ser louco. Muitas coisas ruins aconteceram com ele. O pai dele fugiu de casa quando ele tinha uns 3 anos, então ele nunca conheceu o pai até ficarmos famosos e o pai voltar e trabalhar no bar perto de onde o John morava. E a mãe do John, que ele idolatrava e eu também, era uma mulher linda chamada Julia", continuou.
O britânico ainda mencionou que o colega de banda tinha "muita angústia e, por isso, teve todo aquele grito primal; ele tinha muita coisa para extravasar". "Eu cresci bem seguro com minha família e não tive nenhum dos problemas que o John teve até minha mãe morrer, quando eu tinha uns 14 anos", finalizou.
Fim dos Beatles
Cerca de dois anos após Ringo Starr, 86, deixar de integrar a banda, Paul McCartney anunciou oficialmente que também deixaria o grupo e seguiria carreira solo. A decisão do cantor acabou sendo o estopim para o fim dos Beatles.
Em meio a diversos conflitos entre os membros restantes, a presença constante de Yoko Ono, parceira de Lennon, nos ensaios, a banda finalizou todos os contratos e acordos juntos no final de 1970.
"Tenho certeza de que qualquer um de vocês pode imaginar. Você tem um ótimo emprego, tudo está indo muito bem, e de repente você não tem mais esse ótimo emprego e as coisas não vão tão bem. Ah, e além disso, havia aquele cara dos negócios, Allen Klein, que basicamente estava roubando dos Beatles, e eu era o único que pensava isso", descreveu McCartney ao relembrar a separação.
*Sob supervisão de Ana Beatriz Dias, da CNN Brasil


