Ben Affleck revela como usou IA em novo filme da Netflix; entenda
"Sobrevivência", nova produção dirigida pelo ator, estreia na sexta-feira (9) na plataforma de streaming

O ator e diretor Ben Affleck, 54, admitiu o uso de IA (inteligência artificial) "em muitas coisas" na produção de "Sobrevivência", seu novo filme distribuído pela Netflix. Ao The Hollywood Reporter, ele explicou que "não usaria algo que fosse treinado ou tivesse aprendido com qualquer trabalho protegido por direitos autorais", além de "não se tratar de criar pessoas falsas" ou substituir atores.
A revelação sobre a utilização de IA no filme ocorreu pela primeira vez durante o evento Screentime 2026, da Bloomberg, realizado na última quarta-feira (30). "Eu usei [IA] para muitas coisas naquele filme. Estou um pouco hesitante em apontar quais são — ou mesmo falar sobre isso — porque, no meu ramo, estamos tentando fomentar a ilusão da realidade, certo? Achei que foi um bom exemplo [de como usar IA de forma ética] porque é um filme muito humano", disse.
Já na estreia de "Sobrevivência" nos Estados Unidos, na quinta-feira (1º), ele revelou que a abordagem de IA no longa foi a partir de um "conjunto de dados proprietário, para que não fosse necessário extraí-lo", reforçando o cuidado com direitos autorais.
Ao The Hollywood Reporter, Affleck continuou dizendo que não tem nenhum interesse em fazer filmes "onde você simplesmente digita coisas e as coisas acontecem", alegando que "isso jamais vai acontecer de uma forma que alguém se importe o suficiente para querer assistir".
"Não gostaria de fazer parte disso se acontecesse. O que estou tentando fazer é trazer essa tecnologia para o nosso negócio, para um lugar onde essas empresas que são signatárias de sindicatos, que têm relações com a comunidade criativa, que não vão simplesmente te colocar em um filme sem sua permissão e sem te pagar — isso não pode ser dito de muitas plataformas de tecnologia e outros espaços onde não rejeitamos essa tecnologia e permitimos que outros a tomem e dominem, enfraquecendo-nos", apontou.
"Não se trata de criar pessoas falsas ou substituir ninguém, nunca. Trata-se de mais uma ferramenta interessante de pós-produção, e se você consegue perceber ou identificar o que é, você estragou tudo. Assim como um efeito visual ruim, assim como uma atuação ruim", disse ainda Affleck. "Não usaria algo que se baseia ou aprendeu com qualquer trabalho que seja protegido por direitos autorais, ou que seja uma criação de um colega meu ou de alguém que eu admire", enfatizou o ator e diretor.
A aproximação do ator com a tecnologia não é novidade. Em março deste ano, vendeu à Netflix a startup de inteligência artificial InterPositive, criada para desenvolver ferramentas que podem auxiliar cineastas nos processos de produção e edição. A empresa, sediada em Los Angeles, foi fundada pelo astro de Hollywood em 2022. A aquisição foi considerada incomum para a plataforma de streaming, que raramente compra estabelecimentos desse tipo.
Sobre o novo filme
Em "Sobrevivência", Ben Affleck vive o candidato a prefeito de Los Angeles, Mark Kimball. Quando recebe um telefonema sinistro, Mark e sua esposa Abigail (Kerry Washington) se mobilizam para lidar com uma ameaça que pode destruir sua vida cuidadosamente construída.
Além de protagonizar, Affleck também é co-roteirista e diretor do filme. "Sobrevivência" estará disponível na Netflix a partir de sexta-feira (9).


