Brasil passa de mil mortes pelo novo coronavírus; casos são quase 20 mil

Números foram divulgados pelo Ministério da Saúde na tarde desta sexta-feira (10)

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
10 de abril de 2020 às 15:53 | Atualizado 10 de abril de 2020 às 17:38
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O número de mortes decorrentes do novo coronavírus no Brasil chegou a 1.056 nesta sexta-feira (10), segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. De acordo com a pasta, são 19.638 os casos confirmados de COVID-19 no país.

No balanço de quinta-feira, haviam 941 óbitos e 17.857 casos. Portanto, foram confirmados 115 óbitos e 1.781 novos casos no Brasil. Trata-se de um número menor que o dia anterior, quando o Brasil registrou recordes nos números de óbitos e confirmações (141 e 1.930, respectivamente).

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já havia antecipado à CNN a expectativa de que o número de óbitos passasse de mil nesta sexta. "Maio, junho e julho serão meses piores. Quem dita o ritmo da doença é o quanto teremos de equipamentos. O quanto estamos dispostos a fazer em nome do social, do ir e vir", afirmou, em entrevista à analista Basília Rodrigues.

Em referência à conversa do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, com o deputado Osmar Terra sobre sua possível demissão, Mandetta disse que a doença é maior do que quaisquer outros assuntos, que chamou de "ruídos paralelos".

O ministro voltou a defender medidas de distanciamento social. É uma doença nova que cada dia vai mostrando sua face. Jogar todo mundo em atividade é o que o vírus quer", afirmou Mandetta sobre a flexibilização da quarentena adotada em cidades como Brasília. 

"Cada governador está lendo seu sistema de saúde. Se ele acha que está bem... Essa é uma doença que vai pegar. Não é o sistema de um país frágil que estamos falando. Mas dos sistemas de países como Itália, Inglaterra, Estados Unidos que colapsaram. Talvez esse ou aquele governador não ache que vai colapsar", disse.

Panorama

O estado com maior número de casos é São Paulo, com 8.216, seguido pelo Rio de Janeiro (2.464) e o Ceará (1.478). Há 981 casos confirmados no Amazonas, 698 em Minas Gerais, 693 em Santa Catarina e 684 em Pernambuco.

A região com maior concentração de casos segue sendo a Sudeste, com 59,5% (11.678) dos registros). O menor registro está no Centro-Oeste, com 955 casos (4,9%).

Apesar disso, o estado do Amazonas é o que concentra a maior incidência média de casos e óbitos no país. São 23,3 casos e 1,2 mortos a cada 100 mil habitantes. Em óbitos, São Paulo tem a mesma média que o estado da região Norte.

Há uma defasagem permanente nos dados registrados pelo Ministério da Saúde. Isto porque o boletim anunciado diariamente às 17h reflete os registros das secretarias estaduais de Saúde ao longo das 24 horas anteriores.

Em entrevista à CNN, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que o estado chegou a 213 casos na tarde desta sexta. O boletim do ministério reportava 170 casos.

Outra razão é a própria demora dos testes. Há grande volume de exames sendo analisados e processados, o que amplia o prazo de demora para os resultados. A principal forma de identificação dos óbitos são aqueles casos de pessoas que já tinham sido diagnosticados com a COVID-19 e faleceram após piora no quadro da doença.

Assista e leia também:

São Paulo tem 30 mil exames de coronavírus à espera de resultado

Governo enviará respiradores para cidades em situação mais crítica da COVID-19

Bolsonaro só deve trocar ministros após crise

Vítimas fatais

Dos 1.056 óbitos, o Ministério da Saúde já analisou 849. Destes, segundo a pasta, 77% tinham mais de 60 anos e 74% possuíam ao menos uma comorbidade considerada como grupo de risco. 

As doenças pré-existentes mais comuns nas vítimas fatais da COVID-19, segundo a pasta, são cardiopatia, diabetes, pneumopatia, doença neurológica e doença real.