Após demissão, Mandetta diz que mudar abordagem contra COVID-19 seria 'precoce'


Da CNN, em Brasília e São Paulo
16 de abril de 2020 às 19:59 | Atualizado 16 de abril de 2020 às 20:04
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasíl

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasília

Foto: Adriano Machado/Reuters - 14/04/2020

Poucas horas depois de ter sua demissão publicada no Diário Oficial da União, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) disse nesta quinta-feira (16) que considera "precoce" uma eventual mudança nas políticas de isolamento social adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus. Segundo Mandetta, o sistema de saúde brasileiro não está preparado para esse tipo de medida.

As declarações foram dadas menos de uma hora depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sinalizar, mais uma vez, que defende uma ampla retomada de atividades. O presidente repetiu que atividade essencial é "tudo aquilo que é essencial para levar um prato de comida para casa".

Mandetta, por sua vez, deixou claro que as divergências entre ele e Bolsonaro na forma de lidar com a pandemia do novo coronavírus chegaram a um limite. Apesar de dizer que a conversa com Bolsonaro sobre a demissão foi "tranquila" e que há respeito mútuo, Mandetta falou que havia uma "questão de foco diferente para o momento".

"Eu ainda não consigo tomar determinadas... Ainda acho precoce para mudar a maneira como a gente estava tocando, porque acho que o sistema [de saúde] precisa se fortalecer mais", declarou o ex-ministro, afirmando mais uma vez que as decisões de sua gestão foram tomadas com base na ciência.

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O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, assumiu o cargo dizendo que saúde e economia "não competem entre si", mas que qualquer decisão sobre o isolamento social será tomada com base em informações concretas. "Como a gente tem pouca informação, a gente começa a tratar a ideia como se fosse fato", disse Teich.

Mandetta ponderou que a retomada de atividades "é perfeitamente compatível" se houver a aceleração de medidas como o aumento do estoque de EPIs (equipamento de proteção individual) para profissionais de saúde e de ventiladores.

"Nós temos algumas coisas que podem melhorar a performance do sistema, para que ele não chegue tão perigosamente ao nível de colapso", afirmou.

Mandetta não quis responder quando perguntado por jornalistas se vai atuar em outra frente agora que deixou o ministério. Ele também não comentou a declaração de seu sucessor, Nelson Teich, que disse estar alinhado a Bolsonaro.

O ex-ministro também não quis fazer previsões sobre a nova gestão, e evitou dizer se achava que haveria uma guinada na forma como a resposta à pandemia está sendo conduzida.

Outro assunto do qual Mandetta preferiu passar ao largo foi a conversa entre o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), e o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), em que ambos tratavam de sua saída. O diálogo foi revelado no dia 9 pelo colunista da CNN Caio Junqueira.

"Isso é muito pequeno", disse o ex-ministro.