Uso de remédios contra ansiedade aumenta 34% nos EUA durante surto de COVID-19

Prescrição de ansiolíticos cresceu mais entre as mulheres (40%) do que entre homens (22,7%) e reverte queda observada no país nos últimos cinco anos

Tami Luhby, da CNN
16 de abril de 2020 às 10:38
Uso de ansiolíticos nos EUA cresceu 34% em meio à pandemia do novo coronavírus
Foto: Shutterstock

O uso de remédios controlados contra a ansiedade aumentou 34% nos Estados Unidos à medida em que a crise do novo coronavírus no país afeta profundamente o dia a dia dos norte-americanos.

De acordo com relatório da Express Scripts, uma empresa de assistência médica do país, as prescrições de ansiolíticos começaram a subir em fevereiro, atingindo pico de 34% no mês de março. O aumento coincide com a declaração da OMS (Organização Mundial da Saúde) no dia 11 daquele mês de pandemia global da COVID-19.

O aumento no consumo de remédios utilizados para o tratamento de ansiedade foi maior entre mulheres, cujas prescrições aumentaram quase 40%, em comparação com os homens, que tiveram crescimento de 22,7%.

Esses números são uma forte reversão do padrão no país nos últimos cinco anos, durante os quais o uso de drogas conhecidas como benzodiazepinas – incluindo Alprazolam, Clonazepam, Lorazepam e Diazepam – caiu 12,1%. “Os médicos deixaram de prescrever esses medicamentos, que são mais propensos ao abuso, a favor do uso de terapia”, disse Glen Stettin, diretor de inovação da Express Scripts.

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O estudo da Express Scripts considerou o uso de remédios entre 31,5 milhões de clientes da empresa com convênios médicos fornecidos por seus empregadores.

O impacto da pandemia na saúde mental dos norte-americanos também aparece em várias pesquisas. A maioria das pessoas nos EUA está sob ordem do governo para ficar em casa, pois o número de mortos continua em alta. Milhões perderam o emprego ou foram colocados em licença. As escolas foram fechadas, forçando as crianças a tentar continuar seus estudos on-line em casa.

Cerca de 45% das pessoas disseram no final de março que a preocupação ou o estresse relacionado ao coronavírus teve um impacto negativo na sua saúde mental, segundo uma pesquisa da Kaiser Family Foundation do início de abril. Isso é superior aos 32% que se sentiram assim no meio de março.

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Quase metade dos norte-americanos estava preocupada com a possibilidade de contrair o novo coronavírus e 62% estavam preocupados com a hipótese de uma pessoa próxima adoecer, segundo uma pesquisa da Associação Americana de Psiquiatria divulgada em março.

"Durante esse período, é importante fazer o possível para manter o autocuidado e gerenciar o estresse", disse Bruce Schwartz, presidente da associação.