Ainda não é possível confirmar reinfecção pelo novo coronavírus, diz médico

Pneumologista explica que sistema imunológico humano pode se imunizar contra vírus e bactérias de forma permanente ou temporária

Débora Freitas, da CNN em São Paulo
16 de abril de 2020 às 22:47 | Atualizado 17 de abril de 2020 às 09:25
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Foto: Bruno Kelly - 13.abr.2020/ Reuters

A comunidade científica ainda tem muitas dúvidas sobre o comportamento do novo coronavírus, e uma das principais diz respeito à possibilidade de reinfecção -- ou seja, se alguém que já foi infectado pode ficar doente novamente. No início da semana, a Coreia do Sul relatou que mais de 100 pessoas que já estavam recuperadas apresentaram novamente os sintomas da COVID-19. 

O pneumologista Ítalo Bonatto atende pacientes com suspeita de coronavírus ou que se recuperaram da COVID-19. Segundo ele, ainda não se sabe se o corpo humano pode produzir uma imunidade permanente contra a doença.

"Ainda não se sabe se, frente a uma infecção pela COVID-19, o organismo vai ser capaz de produzir imunidade permanente, ou seja, eu tive a infecção, produzi anticorpos e eles ficaram lá na minha memória, no meu HD, por exemplo", disse o médico à CNN nesta quinta-feira (16). 

De acordo com Bonatto, o que se observa é que, passada a fase aguda da doença, as manchas desaparecem totalmente do pulmão dos pacientes. No entanto, o médico ressalta que é muito cedo para afirmar que isso vai acontecer com todo mundo que for infectado pelo novo vírus.

"O que a gente sabe é que, assim como o H1N1, é uma gripe que realmente traz um dano para o tecido pulmonar. A pandemia [de H1N1] foi em 2009, então de lá para cá se estudou muito sobre as sequelas que ela trouxe ao pulmão dos pacientes".

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O pneumologista também explica que o sistema imunológico humano pode se imunizar contra vírus e bactérias de forma permanente ou temporária.

"Podemos ter uma infecção e o organismo produzir anticorpos contra ela. Nesse caso, se a pessoa entra em contato novamente com o vírus e já tem isso armazenado, o sistema imunológico libera esses anticorpos para combater a infecção e a pessoa não adoece. Mas, a partir do momento que esses anticorpos deixam de ser produzidos, a pessoa pode novamente se reinfectar", disse. 

Ainda segundo o pneumologista, os vírus podem se modificar e infectar as pessoas novamente. No caso dos vírus que atacam o sistema respiratório, as pesquisas mostram que as mutações acontecem a cada cinco ou dez anos.

Até esta quinta, o Brasil registrou 30.245 casos do novo coronavírus, com 1.924 mortes, segundo o Ministério da Saúde.