Visão Responde: vacina BCG protege contra a Covid-19?


Da CNN
28 de julho de 2020 às 15:37

Conhecida há décadas pelos brasileiros, a vacina BCG passou a ser testada contra o novo coronavírus. A pesquisa faz parte de um estudo comandado pela Universidade de Melbourne, na Austrália, do qual participam pesquisadores no Brasil, Espanha e Reino Unido.

No Brasil, a vacina BCG começará a ser reaplicada a partir de agosto em dois mil profissionais da saúde em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. No mundo, a vacina está sendo testada em 10 mil profissionais. 

A BCG protege das formas mais graves da tuberculose nas crianças de até cinco anos de idade. Ela é indicada para recém-nascidos, mas pode ser tomada até os quatro anos e é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, que coordena o estudo no país, explicou à CNN nesta terça-feira (28) que as regiões onde o maior número de pessoas receberam a vacina BCG parecem ter menos casos graves de Covid-19 em crianças.

Além disso, estudos apontam que a BCG exerce um tipo de proteção em relação às doenças respiratórias num período que vai de um ano a um ano e meio. 

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Ou seja, quem tomou quando nasceu não tem mais a proteção da BCG nem para a tuberculose, nem para outras doenças.

Segundo Croda, o estudo busca avaliar se a vacina BCG, a curto prazo, previne internações e óbitos -- isto é, complicações do novo coronavírus.

O período de acompanhamento do estudo é de um ano. 

Vacinas

O Brasil tem testado três vacinas para combater o novo coronavírus. 

A CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, começou a ser testada em 21 de julho. Os testes estão na fase final de ensaios clínicos e acontecem em seis estados brasileiros. 

Outro teste é liderado globalmente pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com o grupo farmacêutico AstraZeneca. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a vacina contra a Covid-19 em processo mais adiantada no mundo. No Brasil, cinco mil pessoas são voluntárias. 

O estudo mais recente autorizado no Brasil é conduzido pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa alemã de biotecnologia BioNTech. Os testes estão na fase três no Brasil e são aplicados em cinco mil voluntários em São Paulo e Bahia.

(Edição: Bernardo Barbosa)