Correspondente Médico: É possível ser infectado pela Covid-19 de novo?


Da CNN
25 de agosto de 2020 às 11:22 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 11:23

Um cidadão de Hong Kong que se recuperou de Covid-19 foi infectado novamente quatro meses e meio depois. Trata-se do primeiro caso confirmado de reinfecção pela doença em seres humanos, disseram cientistas da região na segunda-feira (24). Nesta terça-feira, um virologista disse que a Holanda também detectou um caso do tipo.

No Brasil, cerca de 27 pessoas estão sendo investigadas por terem supostamente testado positivo para a Covid-19 duas vezes - são os possíveis casos de reinfecção da doença. Os dados foram levantados pela CNN com as Secretarias de Saúde dos estados.

Na edição desta terça-feira (25) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes analisou se esta reinfecção pelo vírus é possível e quais são as medidas necessárias para evitar este quadro.

"Nós temos uma documentação científica, uma publicação que mostra todos os exames feitos na primeira e segunda infecção. Inclusive com investigação genética, identificando 'cepas', características diferentes. Parte do RNA do vírus era diferente das demais", iniciou.

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Correspondente Médico

Correspondente Médico: É possível ser infectado pela a Covid-19 de novo?

Foto: Reprodução/CNN

O médico acredita que os casos de reinfecção registraram um processo de mutação do vírus. "Provavelmente isto aconteceu e é muito comum de acontecer com as doenças respiratórias virais", disse. E acrescenta: "Ele não vai mudar 100%, mas pequenas mudanças vão acontecendo porque o próprio vírus vai desenvolvendo métodos de se tornar viável e isso já é esperado". 

O reforço na testagem em massa e análise genética do vírus pode auxiliar no desenvolvimento de métodos para o combate à doença e no desenvolvimento da mesma.

"A única resposta para esta questão [da reinfecção] seria se em todos os casos pudéssemos detectar a característica genética deste vírus. Quando você faz o teste PCR, é identificado a presença do material genético e você não sabe quanto tempo ele viverá ali. Ou se o vírus era de um jeito, como a publicação de Hong Kong, e depois o indivíduo desenvolveu a infecção novamente por um outro vírus. A resposta disso está nos testes e na análise de cada um destes exames e do material genético", avalia.

O monitoramento dos sintomas neste caso é essencial, pois eles são a manifestação clínica real da infecção pelo novo coronavírus no indivíduo.

"Mas aí temos pontos delicados e difíceis de entender: se a gente tem 85% dos casos praticamente assintomáticos, é muito difícil elaborar uma linha de pensamento concreta sobre isso. Agora, é importante a gente continuar utilizando máscara para evitar a contaminação. Se a gente não sabe se é possível, mas pode acontecer, por que não manter o mesmo padrão de conduta?", finalizou.

(Edição: André Rigue)