Mais de 40% dos maranhenses foram infectados pelo coronavírus, aponta inquérito

Para Antônio Augusto Moura da Silva, professor de epidemiologia da UFMA, resultado surpreendeu os pesquisadores

Gabriel Passeri* Da CNN, em São Paulo
26 de agosto de 2020 às 15:23 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 17:13

Quase 2,9 milhões de maranhenses, o equivalente a cerca de 40,4% da população do estado, foram infectados pelo novo coronavírus, segundo inquérito sorológico do governo estadual. Esse foi o resultado do inquérito sorológico feito pelo governo estadual em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Em entrevista à CNN, Antônio Augusto Moura da Silva, professor de epidemiologia da instituição, afirmou que o resultado do estudo surpreendeu os pesquisadores, que estavam prevendo uma taxa de, no máximo, 20% de prevalência do vírus na população maranhense. “Esse resultado aponta que a epidemia no estado se alastrou muito rapidamente e que [a situação] se encontra mais próxima do que seria a imunidade de grupo, o que na teoria bloquearia a infecção”, explicou Silva.

Segundo o professor, foi observado na pesquisa que o novo coronavírus atinge principalmente a população mais vulnerável, uma vez que tem maior dificuldade em manter o isolamento social, até por uma questão de sobrevivência — necessidade de se deslocar para o trabalho e muitas pessoas residentes na mesma casa, por exemplo.

Os dados não representam, segundo o secretário de Saúde Carlos Lula, uma imunidade de rebanho na população. “Já temos conhecimento de um caso em Hong Kong de reinfecção, também soubemos de situações semelhantes na Bélgica e na Holanda. Devemos ter cuidados com esses casos de reinfecção, não quer dizer que haverá reinfecção de todos os casos, mas é possível, por isso não poderemos nos descuidar sobre as medidas de prevenção, distanciamento social, uso de máscaras”, disse o secretário.

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Antônio Augusto Mura e Silva
Antônio Augusto Moura da Silva, professor de epidemiologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Foto: CNN (26.ago.2020)

O levantamento revelou um aumento da incidência da doença na população com menor escolaridade: entre as pessoas com até o ensino fundamental completo, a prevalência foi de 40,9%; até o ensino médio, foi de 46,2%; já entre os que cursaram até o ensino superior, a taxa foi de 27,5%. 

Dentre os principais sintomas indicados entre as pessoas infectadas, estão perda do olfato (49,5%), perda do paladar (47,7%), febre (45,6%), dor de cabeça (45,4%), seguidos de dor muscular (43,6%) e fadiga (41,1%). O estudo também indicou que 26% dos indivíduos que testaram positivo eram assintomáticos. Sobre as comorbidades mais relatadas pelos indivíduos portadores do vírus, hipertensão arterial (19,5%) e diabetes (7,8%) foram as mais prevalentes.

O inquérito apontou que dentre pessoas que mantiveram o isolamento social desde o início da pandemia, apenas 34% foram contaminados. Dentre os maranhenses que não adotaram as medidas de distanciamento, 44,3% tiveram contato com a Covid-19.

Um estudo semelhante deve ser realizado dentro de 45 dias pelo Governo do Maranhão. Segundo dados oficiais da Secretaria de Saúde, o estado contabiliza 145.921 casos confirmados da Covid-19 e 8.065 mortes pela doença.

*Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti