Taxa de contaminação da Covid-19 no Brasil ainda requer cuidados em reuniões


Débora Freitas e Denise Ribeiro, Da CNN, em São Paulo
29 de agosto de 2020 às 15:29 | Atualizado 29 de agosto de 2020 às 15:46

À  medida que o tempo passa e com as regras de flexibilização nos estados brasileiros, as pessoas tentam retomar o trabalho e  o convívio com os amigos. Mas, de acordo com o último relatório divulgado pelo Imperial College London, a taxa de transmissão do novo coronavírus no Brasil voltou a 1. Na semana anterior havia ficado em 0,98.

De acordo com o pediatra infectologista Marcelo Otsuka, a taxa significa que uma pessoa pode transmitir o vírus para,  pelo menos,  mais uma pessoa, mesmo que em reuniões com pouca gente. O ideal é que fique abaixo de um.  "Essa taxa vai variar conforme os cuidados que nós temos. A gente calcula que essa taxa pode chegar de 100 pessoas para 300 pessoas se ninguém tiver o cuidado adequado”, explica ele.  

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Na última semana, dois casos chamaram a atenção. Grávida de oito meses, no dia 3 de agosto a professora Camila Graciano foi a uma reunião na escola que trabalhava, em Anápolis, interior de Goiás. Para recepcioná-la, os colegas organizaram um chá de fraldas. Cerca de 20 pessoas participaram do encontro, todos de máscara.

Como a gravidez era de risco, Camila evitava sair de casa. O marido dela, Wesmair Graciano,   acredita que foi nessa reunião que a professora contraiu o novo coronavírus. “Tinham pessoas infectadas no local, só que ela não sabia, nem a pessoa. Mais ou menos oito dias depois ela percebeu que estava em estado febril e nós ligamos para o médico. Em um dia saiu o exame e o pulmão dela estava comprometido em 25%”, conta ele.

Camila morreu dia 22 de agosto, um dia depois do parto de emergência. A filha passa bem e não foi contaminada pelo vírus.

Confraternizações devem ter o cuidado de aglomerar muitas pessoas

Confraternizações devem ter o cuidado de aglomerar muitas pessoas num mesmo local (29.ago.2020)

Foto: CNN Brasil

Quem também pode ter contraído a doença em uma reunião com amigos é o velocista tricampeão olímpico Usain Bolt. Ele  foi diagnosticado com a Covid-19 na última segunda-feira. Dias depois de comemorar o aniversário, na Jamaica. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram que ninguém usava máscara.

Apesar da flexibilização, tem gente que ainda tem medo de sair na rua e busca alternativas para o convívio social. É o caso dos estudante Helena Almeida. Pelo menos três vezes por semana ela faz reuniões online com os amigos. Outra forma de confraternização são os jogos online. “É o único momento que a gente briga”, diverte-se ela. 

É certo que o distanciamento e o isolamento prolongado mexem com o humor das pessoas. Mas, segundo Otsuka, o ideal é evitar os encontros. Mas, se não for possível, todos os cuidados devem ser tomados.

Ainda de acordo com o especialista, mesmo com uma vacina pra combater a Covid-19, ainda teremos de manter por algum tempo todos os hábitos adotados até agora. “Se você não está doente, não teve contato com ninguém de risco, seus amigos não estão doentes e você vai visitá-los, mantenha o uso de máscaras, distanciamento e, se possível, [se encontrem] em lugar aberto”, alerta o médico.