Vacina para Covid-19 deve ser obrigatória no Brasil, defende Doria


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 19:18 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 20:01

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu nesta quarta-feira (23) a obrigatoriedade da vacina para a Covid-19 no Brasil.

Segundo Doria, a razão é prática e está relacionada à necessidade de imunizar um grupo amplo de pessoas para que a vacina seja eficaz.

"Há uma razão até prática e óbvia para isso. Diante de uma pandemia, não faz razão, não faz sentido, você vacinar uns e não vacinar outros. Pessoas não vacinadas podem ser infectadas. E sendo infectadas, podem transmitir o vírus da Covid-19 e infelizmente podem falecer", disse o governador, em entrevista exclusiva à CNN.

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João Doria afirmou que "a vida é mais importante do que qualquer ideologia" e que a origem da vacina -- no caso da Coronavac, testada em São Paulo, chinesa -- não deve ser um empecilho para a imunização.

"Você não toma uma vacina pelo fato de ela ser francesa, inglesa, chinesa ou portuguesa. Você toma uma vacina, desde que aprovada pelo seu órgão regulador, porque ela salva a sua vida", argumentou, ao ser entrevistado pelos âncoras Caio Junqueira e Monalisa Perrone e pelos analistas Fernando Molica e Thaís Herédia.

Doria afirmou estudar as medidas legais para a obrigatoriedade e disse estar respaldado em um decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que trata da possibilidade de que tratamentos e vacinas para a Covid-19 possam ser obrigatórios.

"Eu vi uma manifestação do presidente contrária à isso [obrigatoriedade da vacina], mas ele precisaria revogar o decreto que ele mesmo assinou", disse o governador à CNN, que afirmou que eventual exceção deve abarcar apenas pessoas com problemas médicos que as impeçam de ser vacinadas.

Calendário

O governador João Doria apresentou o calendário que projeta para a testagem e distribuição da Coronavac.

O tucano afirmou que, caso não aconteça nenhum sobressalto, a testagem deve ser encerrada em 15 de outubro. Depois de um período de dois meses, um para análise e aprovação pela Anvisa e outro para operacionalização, a vacinação pode começar.

Doria afirmou que a vacinação será feita dentro do Sistema Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, seguindo protocolos de preferência por profissionais de saúde, de atendimento ao público, pessoas com deficiência e idosos.

Dinheiro federal

Doria elogiou o repasse de R$ 80 milhões do governo federal para o Instituto Butantan -- gesto que, segundo o governador, mostra "o entendimento do governo federal e do Ministério da Saúde de que a vacina e a doença não devem ter tratamento político, eleitoral ou ideológico."

De acordo com o tucano, os recursos serão destinados à ampliação da fábrica do Butantan para a produção de vacinas.

O governador afirma estar acertado com a Sinovac um total de 60 milhões de doses da Coronavac. Se o país depender de mais doses, diz Doria, serão necessários repasses adicionais de recursos pelo Ministério da Saúde.

As doses que serão usadas no primeiro momento precisam ser importadas, explicou o governador. Segundo Doria, a produção local permitirá futuras imunizações, caso estas sejam necessárias.

Segundo o governador, Eduardo Pazuello "pacificou" o Ministério da Saúde ao longo da sua gestão e melhorou a relação com os estados e municípios. 

"O Ministério da Saúde tem sido correto com São Paulo. Com São Paulo e com outros estados. O ministro Eduardo Pazuello pacificou o Ministério da Saúde", disse.