Correspondente Médico: Quais os efeitos do choque térmico no organismo?

Neurocirurgião Fernando Gomes explica efeitos da oscilação térmica no organismo

Da CNN
13 de outubro de 2020 às 10:10

O forte calor desperta um alerta para a saúde: o choque térmico. Na edição desta terça-feira (13) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou os efeitos da oscilação térmica no organismo. O médico também detalhou quais as sequelas que este tipo de situação pode causar. 

"Tudo acaba sendo regido pelas mesmas leis e princípios físicos e biológicos em pessoas e animais. No caso do choque térmico é a mudança muito rápida da temperatura. Por exemplo, alterações neuromusculares podem acontecer, como é o caso de uma pessoa que pula em uma piscina com água fria e dá cãibra", iniciou. 

Além da cãibra, entre os efeitos da oscilação estão a paralisia e os resfriados. De acordo com o médico, casos gripais são causados devido a 'paralisação' dos cílios da mucosa. "Eles são responsáveis por expelir qualquer impureza do corpo. Quando ocorre o choque térmico, esses pelos podem ficar temporariamente paralisados. Portanto, fisicamente, você coloca a pessoa em situação vulnerável diante de mais infecções respiratórias", explica.

Leia também:
Correspondente Médico: Quais as consequências do calor em excesso?
Correspondente Médico: Existe risco em medir a temperatura pela testa?

Fernando Gomes explica efeitos da oscilação térmica no organismo
Foto: Reprodução/CNN

Quanto às sequelas, Fernando Gomes avalia que elas podem ser temporárias ou evoluir para casos permanentes. "Em alguns casos, estas sequelas estão associadas às infecções virais e uma grande parcela delas são classificadas como idiopáticas, quando acontecem espontaneamente", disse.

O corpo precisa de um tempo de adaptação de um ambiente ao outro, e o organismo tem limitação de tempo para adequar. Toda mudança de informação sensorial entra no cérebro, passa pelo hipotálamo, e nessa região temos o termostato do corpo que vai ajudar a nova realidade de temperatura.

"Quando o indivíduo usa muito o ar condicionado, por exemplo, as oscilações [na temperatura] são mais nítidas. A estratégia do equipamento é interferir na umidade do ar. Portanto, isso pode influenciar no funcionamento do sistema respiratório. Para evitar situações de choque térmico, devemos evitar os extremos de temperatura", finaliza.

(Edição: André Rigue)