'Jovens não são os responsáveis, mas são vetores', avalia Gabbardo


Da CNN, em São Paulo
21 de novembro de 2020 às 17:16 | Atualizado 21 de novembro de 2020 às 18:08

O Coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, conversou com a CNN sobre o aumento do número de internações pelo novo coronavírus no estado. 

Segundo Gabbardo, o Centro de Contingência já pediu que os hospitais não fizessem a desmobilização de leitos destinados à Covid-19 e solicitou a suspensão de novos agendamentos de pacientes para realização de procedimentos eletivos. 

O médico afirma que, neste momento, os indicadores ainda não sinalizam a necessidade de hospitais de campanha, uma vez que a taxa de ocupação de leitos está em 43% - abaixo da metade disponível.

“É um aumento bastante pequeno em relação ao que nós já enfrentamos no Estado de São Paulo. O que precisamos acompanhar é se existe uma tendência de crescimento ou se este é um efeito temporário”.

Leia e assista também:

"É um momento de alerta", diz médica sobre aumento de casos de Covid-19 no país

Fornecimento de gelo seco é apenas um dos desafios na distribuição de vacinas

EUA registram novo recorde de infecções e hospitalizações por Covid-19

Gabbardo avalia que, nesta fase, os jovens estão se expondo mais e, por isso, a transmissão entre eles está aumentado.

"Eu não diria que os jovens são os responsáveis [por uma possível segunda onda], mas eles são os vetores".

Embora os riscos sejam menores, e muitos não desenvolvam sintomas, essa geração pode transmitir para outras pessoas que vão enfrentar a Covid-19 de modo mais grave.

Outro fator que pode ter intensificado o número de internações são as eleições municipais para prefeitos e vereadores que ocorreram em todo o Brasil no dia 15 de novembro.

"O problema não foi o dia da votação, porque foi tudo feito com muita segurança. Mas os processos que acompanham o período eleitoral, o corpo a corpo, o contato com a população, as carreatas, isso causa um pouco de aglomeração", diz.

Vacinas

Gabbardo acredita que, para a imunização de toda a população brasileira será imprescindível a validação de mais de um laboratório.

“É muito provável que o Brasil precise de duas ou de três vacinas, porque algumas delas vão ser utilizadas em dose dupla. Com a primeira aplicação, a gente consegue um percentual bem alto de eficácia. Mas a eficácia vai aumentar, para se chegar aos níveis de 90, 95%, quando se utiliza a segunda dose”. 

A respeito dos testes, Gabbardo avalia que as vacinas estarão prontas para a população dentro de dois meses.

“Falta muito pouco. Nós já estamos há quase dez meses no enfrentamento. Acredito que em mais dois meses, sessenta dias, a gente comece a fazer a vacinação”. 

(Publicada por Sinara Peixoto)