'Brasil não ter campanhas pró-vacina é um problema muito sério', diz pesquisador


Da CNN, em São Paulo
14 de janeiro de 2021 às 15:31


O Brasil precisa se focar em convencer a população de que as vacinas contra a Covid-19 são seguras e que é necessário se imunizar. A análise é do psiquiatra e pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP José Gallucci Neto em entrevista à CNN nesta quinta-feira (14).

"O que estamos vendo na prática é a criação de uma falsa polêmica em torno das vacinas. Estamos vivendo a 'infodemia', o excesso de informações. Não é o momento de criarmos falsas polêmicas, é o momento de união, porque só as vacinas vão nos levar para fora da pandemia. Precisamos unir forças para que a gente mobilize a população toda a se vacinar", afirmou Neto.

Para o especialista, a dificuldade em um discurso único afeta a maneira como as pessoas recebem as informações sobre o imunizante. "Até o momento, a gente não viu nenhum tipo de mobilização e campanha motivacional do governo para que as pessoas se vacinem. Toda a comunicação que vem do governo federal é sempre truncada e ambivalente. Não estamos vendo na mídia digital, televisiva ou impressa nenhuma campanha pró-vacina e isso é um problema muito sério".

José Gallucci Neto, psiquiatra e pesquisador do IPq da USP (14.jan.2021)
José Gallucci Neto, psiquiatra e pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP (14.jan.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Para que a imunidade coletiva seja alcançada, é necessária uma vacinação em massa. "Temos que vacinar muita gente, cerca de 90% das pessoas. Ou a gente se une agora pró-vacina ou corremos o sério risco de falhar nessa campanha vacinal", afirmou o pesquisador.

Gallucci comentou ainda os resultados da eficácia da Coronavac, divulgados pelo Instituto Butantan. "A maneira como a divulgação do resultado foi feita foi ruim, infeliz, criou uma expectativa muito grande e uma atenção muito maior do que precisava para o número da eficácia. Os dados são corretos, a eficácia da vacina é boa, reduz em metade o risco de as pessoas se contaminarem e em 78% a necessidade de precisarem de auxílio médico. Não podemos criar polêmica em torno desse valor ou ficar comparando com outras de RNA que não temos agora, nem vamos ter". 

(Publicado por Daniel Fernandes)