Estamos vivendo drama sem precedentes, diz pesquisador da Fiocruz em Manaus

Jesem Orellana narra panorama com hospitais lotados e desabastecidos, filas de pacientes aguardando leitos e profissionais de saúde exaustos

Fernanda Pinotti, da CNN, em São Paulo
14 de janeiro de 2021 às 18:20 | Atualizado 14 de janeiro de 2021 às 19:06

 

Hospitais lotados e desabastecidos de oxigênio, pacientes aguardando em filas para ocupar leitos clínicos ou de UTI e profissionais de saúde exauridos física e psicologicamente. Este é o cenário da segunda onda da pandemia da Covid-19 na cidade de Manaus, segundo relato do pesquisador Jesem Orellana.

Orellana atua no Instituo Leônidas & Maria Dellane (ILMD), a Fiocruz Amazônia. 

"Os hospitais estão lotados, os profissionais de saúde estão exauridos física e psicologicamente, e temos filas para tanto leitos clínicos como para leitos hospitalares, tanto de pacientes da capital como de pacientes do interior. Uma palavra pra resumir tudo isso é: drama. Drama sem precedentes", disse Orellana à CNN.

Segundo a observação de Jesem Orellana, o esgotamento do oxigênio disponível em hospitais na capital do Amazonas não foi sem motivo. O pesquisador afirma que o consumo de oxigênio para tratamento dos pacientes é de duas a três vezes maior que o pico das mortes por Covid-19 no estado, entre abril e maio.

"A situação é bem difícil em Manaus. Neste momento, estamos tendo uma grave crise de distribuição de oxigênio", afirma o pesquisador da Fiocruz Amazônia. 

Para Orellana, "essa segunda onda está sendo muito mais violenta que a primeira onda". "Talvez nós estejamos testemunhando uma das situações mais críticas, mais penosas da história da pandemia da Covid-19."

O pesquisador contesta a tese de que estaríamos próximos a uma "imunidade de rebanho", com o desenvolvimento de anticorpos contra a doença do novo coronavírus.