Secretário do Ministério da Saúde alerta para risco de faltar 2ª dose da vacina

Élcio Franco critica onda de ‘fura fila na vacinação’ e diz que imunização não terá efeito se o público alvo não receber as duas doses

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
21 de janeiro de 2021 às 08:57 | Atualizado 21 de janeiro de 2021 às 09:22


Em meio ao fura fila na vacinação contra coronavírus, com impacto para os grupos prioritários, o governo federal está preocupado com a falta de segunda dose para as pessoas que já receberam a primeira dose, o que anularia os efeitos da vacinação. Em entrevista exclusiva à CNN, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, fez um alerta às unidades da federação que estejam aplicando as doses de maneira indiscriminada. "É para o ciclo completo, primeira e segunda dose em cada cidadão que for imunizado, sob pena de nós perdermos a oportunidade de gerar a imunização que se espera e o cidadão não ficar protegido da pandemia", afirmou.

Além do desrespeito ao grupo prioritário, há a perda natural de algumas vacinas durante o transporte ou no manuseio das ampolas. Por isso, o secretário estima que até 2,9 milhões de pessoas consigam ser imunizadas pelas 6 milhões de doses que foram distribuídas no início da semana.

O secretário disse contar com a fiscalização das autoridades locais. "Eles não podem vacinar 6 milhões de brasileiros por causa do ambiente de incerteza da segunda dose, em que a eficácia da vacina será garantida obedecendo esse intervalo (entre doses)", afirmou o secretário à coluna.

"A intenção nossa é alertar tanto a população como os Estados, não é criticar ninguém. A nossa gestão do SUS é tripartite, somos todos parceiros nessa. Nós não temos inimigos", complementou.

Nesta primeira etapa, o governo federal fragmentou os grupos prioritários deixando os idosos de 75 anos fora da lista. Ainda não há definição de quando eles serão chamados, por causa da falta de vacinas. Houve prioridade para os idosos com mais de 60 anos que morem em instituições de longa permanência (como asilos, casas de repouso). "Porque a ciência acompanhou os casos e concluiu que o idoso institucionalizado está mais vulnerável do que o idoso que está junto com uma família em casa", explicou.

Frasco da vacina contra Covid-19 Coronavac
Frasco da vacina contra Covid-19 Coronavac
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo (17.jan.2021) 

Barreiras administrativas

Alinhado ao discurso do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o secretário-executivo da Saúde também afirmou à CNN que a demora para a chegada de insumos da China, imprescindíveis para a produção de vacinas, não tem relação com problemas diplomáticos entre os dois países. "Eu diria que não há troca de farpas. São grandes parceiros, são aliados comerciais, são aliados históricos do Brasil e o relacionamento é o melhor possível entre eles", avaliou.

Nesta quarta-feira, os ministros da Saúde, Relações Exteriores e Agricultura estiveram reunidos com o embaixador da China. Franco responsabiliza "barreiras administrativas" pela demora no envio dos insumos. "Existe uma agência lá na China que estava com processamento de uma forma e agora ela alterou para agilizar essa exportação. E com relação à Índia, havia também o aspecto que eu diria até humanitário e psicossocial, onde se havia a necessidade de se iniciar a campanha de vacinação nacional da Índia para depois então autorizar a saída de vacina para outros países", disse.

"Não temos problema nem com a China nem com a Índia, nós temos tido talvez alguns problemas de ordem administrativa", disse.

(Com a colaboração de Fernando Alves)