Relatório da OMS: Não há evidências entre vacina da Pfizer e morte de idosos

Conclusão da organização aponta que imunizante não teve influência na morte de 23 idosos na Noruega

Letícia Brito Silva*, da CNN, em São Paulo
22 de janeiro de 2021 às 09:48
Vacina da Pfizer é preparada para aplicação em hospital
Foto: Craig F. Walker - 16.dez.2020/Reuters

O Comitê de Segurança de Vacinas da OMS (GACVS) concluiu não haver suspeitas que possam relacionar mortes de idosos e a vacina da Pfizer/BioNTech. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (22), após 23 idosos na Noruega terem morrido depois de receberem o imunizante.

Participaram do debate especialistas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e do Centro de Monitoramento de Uppsala (UMC). De acordo com a declaração, países devem continuar a monitorar a segurança das vacinas e promover cuidados de rotina após a imunização. "O comitê recomenda que os dados sobre suspeitas de eventos adversos devem ser coletados e revisados continuamente - nacional, regional e globalmente - conforme as vacinas Covid-19 são distribuídas e aplicadas em todo o mundo", diz o texto.

O Comitê ainda ressaltou que, pelo menos por enquanto, a relação risco-benefício da vacina permanece favorável em idosos e não há necessidade de qualquer revisão nas recomendações sobre a segurança do imunizante.

De acordo com a CNN americana, médicos noruegueses investigaram a morte 23 mortes de idosos depois de terem recebido o imunizante no país. Após as fatalidades, o Instituto Norueguês de Saúde Pública atualizou seu guia de vacinação contra a Covid-19 com conselhos mais detalhados sobre a imunização de idosos frágeis ou com doenças terminais. A nova orientação diz que os médicos devem avaliar cada paciente individualmente para determinar se os benefícios da vacinação superam os riscos de quaisquer efeitos colaterais potenciais.

Na terça-feira (19), autoridades norueguesas concluíram não haver correlação entre as mortes e o imunizante da Pfizer/BioNTech. "No momento, não há análises estatísticas que indiquem que a vacinação contra o coronavírus tenha aumentado o risco de morte nos vacinados”, disse Sara Viksmoen Watle, médica-chefe do Instituto Norueguês de Saúde Pública, em um comunicado.

"Na Noruega, uma média de 400 pessoas morrem a cada semana em lares de idosos e instituições de longa permanência", disse a Agência Norueguesa de Medicamentos (Noma). A Noma destacou que todas as mortes que ocorrem nos primeiros dias após a vacinação são avaliadas cuidadosamente e submetidas ao registro de saúde norueguês.

Até a última semana, 42 mil pessoas na Noruega haviam recebido a primeira dose da vacina. Como em muitos outros países, os idosos e os moradores de casas de repouso com problemas de saúde são os primeiros na fila para serem vacinados, porque enfrentam um risco muito maior de adoecer gravemente devido à Covid-19. De acordo com dados atualizados pela Universidade Johns Hopkins, a Noruega registrou o total de 60.259 casos e 544 mortes pelo novo coronavírus.

*Sob a supervisão de Luiz Raatz