Insumos para produzir Coronavac chegam no dia 3, diz diretor do Butantan

Governo federal havia dito que os insumos chegariam até o final da semana

Anna Satie, da CNN em São Paulo
26 de janeiro de 2021 às 11:39 | Atualizado 26 de janeiro de 2021 às 12:16

 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta terça-feira (26) que os insumos para produção da Coronavac no laboratório brasileiro devem chegar ao país no dia 3 de fevereiro.

Nesta segunda (25), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia dito que a previsão era até o final dessa semana

"Os lotes chegarão na próxima semana, em 3 de fevereiro.Temos mais 5.600 litros [de insumos] em processo de liberação, o que, com os 5.400 litros já anunciados, totaliza 11 mil litros. Com essa quantidade, regularizaremos a entrega", disse Dimas em entrevista coletiva. 

De acordo com o Instituto Butantan, os 5.400 litros de insumo são suficientes para produzir 8,5 milhões de doses da Coronavac.

O diretor disse ainda que o restante dos insumos devem ser importados até abril, o suficiente para produzir as 40 milhões de doses que foram contratadas até o momento. "Existe a possibilidade de um adicional de 54 milhões de doses, mas precisamos da manifestação do Ministério da Saúde", disse.

"Na útlima sexta-feira, enviei um ofício pedindo essa manifestação para que possamos planejar essa produção. O quanto antes houver essa definição, o quanto antes iniciamos o planejamento e traremos essa vacina para o Brasil". 

Dimas informou ainda que, assim que os insumos chegarem, levará cerca de 20 dias para que as novas doses sejam produzidas e comecem a ser distribuídas. "O ciclo é em torno de 20 dias, pode adiantar ou atrasar dependendo das particularidades do processo produtivo", disse. 

Ele ressaltou que o atraso na importação é devido ao "processamento burocrático dos documentos", posição ressaltada pelo embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, que também participou do evento.

"Acredito que todos sabemos que [atraso na importação] se trata de questão técnica, não política. As vacinas são uma arma para conter a pandemia e garantir a saúde do povo, não um instrumento político", afirmou Wanming.

"A parte chinesa está disposta a manter a cooperação com o governo do Brasil, com o governo de São Paulo e apoiar em conjunto a parceria entre a Sinovac e o Butantan para que a Coronavac contribua ainda mais para o combate à pandemia no Brasil".

Governo federal X governo estadual

O governador paulista, João Doria (PSDB), voltou a ressaltar que toda a negociação feita para obter as vacinas foi feita pelo governo do estado e pelo Instituto Butantan. 

"Nunca houve interferência e relação, principalmente para ajudar, do governo federal. Não queremos politizar esse tema, chegamos à vacina apesar das manifestações contrárias do governo federal", disse ele, acrescentando que o presidente Jair Bolsonaro e os filhos dele chamavam a Coronavac de "vachina" ou "vacina do Doria". 

Ele disse ainda que a disponibilização das doses foi feita com investimento do governo de São Paulo. "Até o momento, não recebemos um centado do Ministério da Saúde. Imagino que vão cumprir o contrato e pagar, mas todo o investimento desde maio foi suportado pelo estado de São Paulo e pelo Butantan". 

Na tarde desta segunda (25), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, publicou um vídeo em que anuncia que os insumos chegariam até o fim dessa semana e aponta que o governo federal foi o autor da negociação.

"A continuidade do recebimento dos insumos para fabricação das vacinas pelo Butantan voltou à normalidade. Isso graças à ação diplomática do governo federal com o governo chinês, por intermédio da embaixada chinesa no Brasil", disse. 

A fala do ministro foi contestada em nota e em publicações nas redes sociais do governador João Doria, que negam que o governo federal tenha tido papel significativo na resolução. 

Uma carta obtida pela CNN, porém, mostra que a embaixada da China endereça o Ministério da Saúde ao anunciar a importação dos insumos

Doria disse que isso é porque o "embaixador da China é profundamente educado". "Ele respondeu a demanda do Ministério da Saúde, feita por escrito, mas todo o relacionamento cultivado com a China e com a Sinovac sempre foram conduzidas pelo governo do estado de São Paulo e pelo Instituto Butantan". 

Dimas Covas ressaltou que o contrato com o Ministério da Saúde foi assinado há duas semanas e que a produção e negociação datam de muito antes. "O contrato com o Ministério da Saúde não foi determinante nessa trajetória. Graças ao bom Deus que houve a assinatura e que as vacinas estão sendo usadas, mas o programa já estava em pleno desenvolvimento", afirmou. 

Nova fábrica do Butantan

O governo paulista também informou sobre o andamento das obras das novas instalações do instituto, que ampliarão a capacidade de produção das vacinas. 

De acordo com Doria, a construção, que começou em 2 de novembro de 2020, estará pronta até 30 de setembro. Em outubro, será feita a instalação dos equipamentos.

A certificação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o subsequente início da produção nesse local, porém, só é esperada no início de 2022.