'Não houve cuidado de ajustar cronograma à realidade', diz epidemiologista

Ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunizações afirma que deveria ter havido uma estratégia inicial de regionalização das vacinas

Da CNN, em São Paulo
20 de fevereiro de 2021 às 16:39

 

Algumas capitais e municípios brasileiros tiveram que interromper a campanha de vacinação contra a Covid-19 por falta de doses de vacina. Por conta dessa crise, nesta semana, o Ministério da Saúde apresentou um novo cronograma de vacinação aos governadores. 

Em entrevista para a CNN, a epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, disse que o cronograma do governo não levou em consideração as adversidades em relação à produção de vacinas no Brasil.

“Parece que não houve o cuidado de ajustar este cronograma à realidade que estamos vivendo. Houve um atraso no envio da IFA, tanto para o Butantan, quanto para o de Bio Manguinhos. Então, isso teve um atraso enorme no processo de produção das vacinas e parece que o Ministério [da Saúde] não ajustou este cronograma", diz.

“Complicado ir para público, divulgar um cronograma e um dia depois dizer que este cronograma não está adequado”, complementa.

 

Realidades locais

Para a ex-coordenadora do Plano de Imunizações, o correto era ter sido feito um planejamento inicial de regionalização das vacinas.  “Deveria ter havido um pacto nacional de identificar aonde era prioridade o início da vacinação, e aqueles municípios que estavam com uma realidade mais tranquila terem aguardado um segundo momento”, alerta.

Essa estratégia faria com que mais pessoas de um mesmo local, onde a taxa de contaminação e o número de internações estão altos, estivessem imunizadas, impactando de forma positiva no controle da doença. “Uma vez que há escassez, não deveria ter se pulverizado a vacina para todo o país. Deveríamos ter concentrado em algumas regiões, onde temos maior incidência da doença e mesmo em alguns municípios concentrados porque nós teríamos um maior número de pessoas vacinadas”.