Falta de infraestrutura em postos de saúde atrapalha vacinação, aponta pesquisa

Instituto verificou a situação em postos de saúde de 833 municípios e constatou vários problemas que atrapalham a imunização pelo país

Da CNN, em São Paulo
25 de fevereiro de 2021 às 18:40 | Atualizado 25 de fevereiro de 2021 às 19:01

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva feita em 833 municípios constatou problemas básicos de infraestrutura que causam gargalos no Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 no país. 

Segunda a pesquisa, os problemas ocorrem pelos seguintes motivos:

  • 48% das unidades de saúde não têm todos os equipamentos em boas condições;
  • 43% sequer têm todas as salas adequadas para vacinar a população;
  • 29% não têm acesso à internet,
  • 21% não têm disponíveis itens básicos de higiene, como pia com água, sabonete, papel-toalha e lixeira com pedal.

Problemas de comunicação

A comunicação também preocupa: mais da metade dos gestores aponta dificuldade dos moradores na compreensão do cronograma de vacinação. Além disso, 49% dos municípios não têm um unidade itinerante de vacinação, importante para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

Renato Meirelles, diretor do instituto, faz parte de um grupo de empresários que pretende ajudar a resolver esses entraves.

"A liderança na compra de vacinas é do poder público. Cabe a ele garantir que os laboratórios possam vender para o governo federal, estados e municípios suas vacinas. O papel da iniciativa privada é facilitar, com todo seu poder de negociação, contatos e insumos, que isso aconteça na menor burocracia possível", afirmou Meirelles.

Empresários se reúnem com o governo

Marcelo Silva, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, tem liderado as reuniões dos empresários com o governo federal.

"Temos uma série de laboratórios, de empresas, e estamos fazendo um grupo de trabalho com o ministério de Saúde para tentar identificar formas para ver como podemos contribuir para trazer mais vacinas ao Brasil", disse Silva à CNN.

"De um lado se trabalha na comunicação, no outro na organização do calendário e no outro resolvendo os gargalos de infraestrutura. Juntando sociedade civil, iniciativa privada sob a liderança do poder público para garantir que o Brasil consiga mais rapidamente vacinar sua população", explicou Meirelles sobre as prioridades.