'É bom que a sociedade não teste nosso limite', diz setor funerário

Associação avalia que situação pode "fugir do controle" com aumento de mortes no país. "Se chegarmos ao nosso limite, estaremos à beira do fim do mundo"

Produzido por Henrique Andrade*, da CNN em São Paulo da CNN em Brasília
12 de março de 2021 às 01:32 | Atualizado 12 de março de 2021 às 01:38

O setor funerário viu a demanda disparar nesse um ano de pandemia até o momento. Agora, no entanto, com novos recordes de mortes no país, a capacidade está próxima do limite, alerta o presidente da Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), Lourival Panhozzi, em entrevista à CNN.

"É alarmante: se considerarmos que o número normal de óbitos no Brasil é 3500 por dia e já passamos de 2400 só de Covid-19. É inaceitável. A situação está num ponto muito crítico, nosso setor está sendo testado ao limite, várias regiões já estão trabalhando na capacidade máxima. Se não houver contenção de casos, teremos um cenário muito preocupante", avisa.

Ele ressalta que o número de mortes aumenta no inverno nas cidades em que a temperatura cai mais. Isso, somado ao ritmo atual de mortes por Covid-19, pode consequências ainda mais graves. "Estamos à beira do colapso. É bom que a sociedade não teste nosso limite. Se chegarmos ao nosso limite, estaremos à beira do fim do mundo, a situação vai ficar muito crítica". 

O presidente da Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), Lourival Panhozzi
Foto: Reprodução/CNN

Panhozzi explica como o setor é afetado pela alta demanda. "Caixão não é nossa única preocupação. Hoje mesmo soltamos uma nota pedindo às funerárias que suspendam as férias de todos. Os fabricantes não estão conseguindo nem matéria-prima para produzir as urnas. A situação é alarmante. Esse descontrole precisa parar. Se não for cortado, em mais 30, 40 dias estaremos em uma situação muito difícil", alerta.

Trabalhando diariamente perto os estragos da pandemia, ele relata com preocupação  o que vê. "É uma das formas mais tristes de morrer, a pessoa morre sozinha, afogada no seco. Ela não tem direito a uma despedida, é uma morte quase indigna. É de cortar o coração".

(*Supervisão de Elis Franco)

 

 

(Publicado por Sinara Peixoto)