Queiroga: Sociedade deve entender que bloqueio do vírus é política do ministério

Escolhido para substituir Eduardo Pazuello na Saúde, cardiologista reforçou o discurso contra a adoção de lockdown

Por Igor Gadelha, CNN  
19 de março de 2021 às 10:34 | Atualizado 19 de março de 2021 às 10:44

O futuro ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CNN, na manhã desta sexta-feira (19), que uma das principais diferenças de sua gestão em relação à do general Eduardo Pazuello será o “compromisso com as medidas de bloqueio do vírus”. Apesar disso, o cardiologista reforçou o discurso contra a adoção de lockdown.

Ao ser indagado sobre quais serão as diferenças dele em relação a Pazuello, o novo ministro da Saúde afirmou que algumas “já estão postas”. “A sociedade precisa entender que a política de bloqueio do vírus é uma política do Ministério da Saúde”, afirmou o médico.

Entre essas medidas, Queiroga citou o uso de máscara, a higienização das mãos e o “distanciamento social responsável”, também chamado por ele de “distanciamento social inteligente”. Segundo ele, isso significa trabalhar no convencimento da sociedade de que o distanciamento é importante. “Precisa ter o empenho da sociedade”.

Queiroga ressaltou que uma de suas prioridades no início da gestão será trabalhar pela abertura de novos leitos de UTI e na compra de insumos. Ele defendeu que, embora prefeitos e governadores também sejam responsáveis pela função, o ministério deve assumir a coordenação. “O ministro da Saúde precisa ser o coordenador disso”, declarou.

Por outro lado, o cardiologista afirmou nesta sexta-feira que “a política do governo é evitar o lockdown”. “Agora isso não vai ser na caneta, vai ser trabalhando forte”, afirmou o médico, o qual havia declarado à CNN, na segunda-feira (15) que a medida “não pode ser política de governo” e só deve ser adotada em “situações extremas”.

Mudanças na equipe e posse

À CNN, Queiroga também anunciou que pretende fazer mudanças na equipe do Ministério da Saúde já no início de sua gestão, na próxima semana. Ele contou estar “finalizando” a escolha dos novos nomes, mas não adiantou que cargos serão trocados. “Precisa ser no início da nossa gestão para iniciar o trabalho rapidamente”, justificou.

O novo ministro ressaltou ainda que, por ele, assumiria o cargo em uma “posse simples”, sem solenidades, “porque o momento não é esse”. O cardiologista também lamentou a morte do senador Major Olímpio (PSL-SP). “O caso do Major Olímpio foi uma tragédia. Não só dele, toda vida é importante. Temos que ter essa consciência”, disse.