Brasil é país com mais casos e mortes por Covid-19 na América do Sul

A cada milhão de habitante, existem 56 mil infectados; países vizinhos adotam medidas para evitar entrada de brasileiros

Giovanna Bronze e Alisson Negrini, da CNN, em São Paulo
23 de março de 2021 às 10:07 | Atualizado 23 de março de 2021 às 22:14

O Brasil é o país com mais casos e mortes causadas pelo novo coronavírus da América do Sul, o segundo país com mais mortes e mais casos no mundo - 295.425 e 12.047.526, respectivamente - e, nas últimas semanas, teve recorde de novos casos e novas mortes registradas em um dia: 90.570 novos casos em 19 de março e 2.841 novas mortes no dia 16 do mesmo mês.

Em março de 2021, o Brasil vive o pior momento da pandemia. Além dos recordes nos registros da doença, o país também enfrenta colapso na saúde pública. Segundo levantamento da CNN, 23 estados e o Distrito Federal registram mais de 80% dos leitos de UTI ocupados. 

Segundo a Universidade Imperial College, o Brasil registrou a taxa de transmissão mais alta do ano: 1.23. A alta transmissibilidade e as novas variantes do novo coronavírus no país preocupam os países vizinhos.

Na última segunda-feira (22), a Venezuela anunciou a adoção de uma quarentena rígida durante duas semanas para conter a disseminação da Covid-19. A medida foi anunciada no domingo (21) em discurso do presidente Nicolás Maduro. 

Em seu pronunciamento, Maduro apontou a variante brasileira como principal fator para a adoção da medida. “As variantes tornaram o Brasil na maior ameaça mundial por coronavírus”, disse.

Já em relação aos outros países, as medidas variam entre voos provenientes do Brasil suspensos e até medidas de quarentena especiais para passageiros que estiveram no país. 

O Peru está com a fronteira fechada para brasileiros até o dia 31 de março. Já no Chile, é obrigatório que brasileiros ou quem chegar de viagem do Brasil fique em um “hotel de trânsito” durante 72 horas, até o resultado do teste RT-PCR sair. Caso seja negativo, aí sim a pessoa estará autorizada para cumprimento da quarentena obrigatória de 10 dias no Chile. 

Na Bolívia, quem voar do Brasil precisa apresentar um teste RT-PCR negativo após tê-lo feito três dias antes da chegada. Para o Suriname, todos os voos estrangeiros estão suspensos. 

Voos do Brasil e de outros países, exceto Bolívia, República Dominicana, México, Panamá e Turquia, estão suspensos na Venezuela.

Na Colômbia, voos do Brasil e do Reino Unido estão suspensos. Passageiros que estiveram em qualquer um desses dois países não podem entrar. 

Movimentação na região da 25 de março, em São Paulo, em meio à pandemia da Covid
Movimentação na região da 25 de março, em São Paulo, em meio à pandemia da Covid-19
Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo (9.dez.2020)

O país com mais casos

Segundo a plataforma Our World in Data, o Brasil é o país da América do Sul com mais casos de Covid-19 por milhão de habitantes. De acordo com a plataforma, são 56.221 casos por milhão de habitantes, com base no total de casos registrados até o momento. Em segundo lugar está a Argentina, com 49 mil casos por milhão de habitantes, seguida pelo Chile (48.392/milhão de habitantes), Colômbia (45.814) e Peru (45.814).

No entanto, o Brasil não é o país com maior número de novos casos diários de Covid-19 a cada milhão de habitantes. Ainda segundo a Our World in Data, o país registrou 371 em 20 de março, enquanto o Uruguai contabilizou 438 no mesmo dia e o Peru registrou 486 em 19 de março.

Apesar de ter aplicado o maior número absoluto de doses de vacina contra a Covid-19, o Brasil é apenas o terceiro no ranking da vacinação. 

Segundo levantamento da CNN, o Chile é o país que mais vacinou na América do Sul, com 5.642.004 primeiras doses aplicadas, o equivalente a 29,77% da população local, e 2.908.908 segundas doses aplicadas, imunizando mais de 15% das pessoas. 

Em seguida está o Uruguai, que apenas iniciou a aplicação da primeira dose da vacina, mas que já vacinou 9,79% da população. 

Em terceiro está o Brasil. Segundo balanço de vacinação realizado pela CNN, o país já aplicou 11.990.804 primeiras e 4.204.615 segundas doses. Portanto, a proporção da população que já recebeu a primeira dose é de 5,66%, enquanto a que recebeu a segunda é de 1,99%.