Fiocruz também faz estudos para produzir vacina 100% brasileira, diz pesquisador

Instituto Butantan em São Paulo anunciou nesta sexta-feira que fará pedido para testes das fases 1 e 2 do imunizante Butanvac

Produzido por Juliana Alves, da CNN em São Paulo
26 de março de 2021 às 09:48

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (26), o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda afirmou que a fundação também está produzindo estudos para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus que seja 100% nacional.

Nesta sexta-feira, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou a criação da Butanvac, uma vacina nacional contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan. 

"Tem diversas propostas dentro da Fiocruz, inclusive com esse encaminhamento de fase 1 e 2. E aí, com certeza a direção da Fiocruz, em conjunto com a Bio-Manguinhos, poderá escolher uma das propostas que já estão sendo desenvolvidas nesses ensaios, que chamamos pré-clínicos, e investir na proposta no sentido de também ter uma vacina 100% brasileira”, explicou Croda.

O pesquisador também recordou que a Fiocruz receberá tecnologia para produzir a vacina da AstraZeneca/Oxford sem a necessidade de importação de novos insumos, o que deve acelerar o ritmo de distribuição de imunizantes no território nacional.

“A transferência da vacina da AstraZeneca com Oxford vai ser mais rápida. A Fiocruz já afirmou que essa transferência vai ser concluída no primeiro semestre, e no segundo semestre a Fiocruz já vai estar produzindo 100% da vacina em território nacional, sem nenhuma necessidade de IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo]. Então, isso do ponto de vista prático, se isso realmente acontecer a partir do meio do ano, independentemente de ser uma vacina brasileira ou não, a gente vai ter autonomia, e isso é o que importa”, explicou.

Butanvac

Segundo o governador de São Paulo, o Butantan prevê a produção de 40 milhões de doses da Butanvac a partir de julho. De acordo com o diretor do instituto, Dimas Covas, o imunizante foi desenvolvido para combater a variante de Manaus, chamada P.1. 

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Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters