SP registra mais de mil mortes e MG bate recorde de vítimas diárias de Covid-19

Visando diminuir a alta de óbitos, Rio de Janeiro incluiu mais 15 cidades com bandeira roxa

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
27 de março de 2021 às 14:13
Coveiros usam roupas de proteção em enterros em São Paulo
A média móvel de mortes diárias chegou a 619 e também bateu recorde em São Paulo. Há 26 dias o estado tem alta na tendência de mortes
Foto: Paulo Guereta/Ag.O Dia/Estadão Conteúdo

O estado de São Paulo registrou, neste sábado (27), 1.051 mortes em decorrência da Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 71.747 óbitos. Essa é a terceira vez na semana que o estado registra mais de mil mortes em um único dia.

Minas Gerais também bateu recorde neste sábado após contabilizar mais 479 mortes por conta do vírus. O último recorde foi registrado na quarta-feira (24), quando o estado totalizou 374 mortes. Desde o início da pandemia, 23.366 pessoas morreram por conta da doença em Minas Gerais.

O recorde de óbitos em São Paulo, desde o início da pandemia, foi registrado nesta sexta-feira (26) com 1.193 novas mortes em 24 horas. No entanto, na terça-feira (23), o estado bateu a marca de mais de mil mortes quando registrou 1.021 óbitos. 

Segundo as Secretarias de Saúde de São Paulo e de Minas Gerais, os dados informados em 24h não significam que os óbitos ocorreram no dia anterior, mas sim, que foram registrados até o horário de corte no dia anterior pelos municípios.

Na última terça-feira (23), o Ministério da Saúde modificou a forma de registro de óbitos por Covid-19 em seu sistema, o que tornou o processo mais lento e burocrático e dificultou o registro de mortes. Após críticas de diversos setores da área da saúde, porém, a mudança foi cancelada, segundo nota oficial da pasta.

Para o registro no sistema do Ministério da Saúde foi estabelecida a necessidade de informar o CPF, o número do cartão SUS e uma série de outras informações obrigatórias que, segundo os técnicos da saúde, iriam atrasar a contagem de óbitos no Brasil.

A média móvel de mortes diárias chegou a 619 e também bateu recorde em São Paulo. Há 26 dias o estado tem alta na tendência de mortes.

Segundo uma nota publicada pela Secretaria de Estado da Saúde, a Fase Emergencial do Plano São Paulo foi prorrogada até o dia 11 de abril, com a manutenção das restrições mais rígidas visando garantir a assistência a vida e conter a sobrecarga em hospitais de todo o Estado, além de frear o aumento de novos casos, internações e mortes pelo coronavírus.

22 cidades do Rio de Janeiro estão na bandeira roxa

O Rio de Janeiro passou de sete para 22 municípios com bandeira roxa, a de mais alto risco para a Covid-19, em uma escala de cinco níveis, feita pela secretaria fluminense de Saúde. Entre eles, estão três dos cinco mais populosos do estado, incluindo a capital, que atinge esse estágio pela primeira vez. O estado tem 92 cidades.

As localidades com bandeira roxa estão concentradas na Região Metropolitana, casos da capital, Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. No entanto, a situação se repete na Região dos Lagos, com Araruama, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia.

No Centro-Sul Fluminense, enfrentam o mesmo cenário Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Sapucaia e Três Rios. O Mapa de Risco mostra ainda outras 50 cidades com risco muito alto, bandeira vermelha, a segunda mais perigosa. Na edição anterior, eram 41. Estão nessa situação cidades como São Gonçalo, a segunda cidade mais populosa do estado, com 1,1 milhão de habitantes, Niterói, Volta Redonda e Campos.

Não há cidades nessa situação nas regiões Norte, Noroeste, Médio Paraíba e Serrana do estado. No entanto, o Rio também não tem qualquer município com risco muito baixo, a classificação mais básica da escala utilizada pela secretaria.  Não há cidade abaixo da bandeira laranja, a terceira, que aponta risco moderado.

Os resultados confirmam uma tendência já demonstrada pela manhã pela Prefeitura do Rio, na apresentação do 12º Boletim Epidemiológico semanal. Nele, a capital evoluiu para um quadro com suas 33 regiões administrativas com risco alto, o mais elevado na avaliação do município, que conta com três níveis. Até então, esse patamar não tinha sido alcançado nem mesmo por uma região administrativa qualquer, de forma isolada.