Produção da Coronavac está paralisada desde quarta e não há previsão de retomada

O Instituto Butantan depende da entrega de insumos vindos da China para retomada da produção e entrega dos imunizantes previstos para maio e junho

Tainá Falcão, da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2021 às 09:54 | Atualizado 14 de maio de 2021 às 09:56

A produção de doses da Coronavac está paralisada desde quarta-feira (12), segundo informou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, a reportagem da CNN.

A última remessa do imunizante, com 1,1 milhão de doses foi entregue nesta sexta-feira (14), ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. O quantitativo é parte do lote de 54 milhões de doses previstas em um segundo contrato com o governo federal. O primeiro contrato, com 46 milhões de doses, foi finalizado nesta semana.

Desde a última semana, o governo de São Paulo tem alertado sobre a possibilidade de atrasos no envio de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) pela China. O governador paulista, João Doria (PSDB), atribui a demora a “entraves diplomáticos” após falas do presidente Bolsonaro e membros do governo sobre o país asiático.

O Ministério da Saúde nega que haja problemas entre os dois países. O secretário-executivo do ministério, Rodrigo Cruz, credita a demora ao ritmo de vacinação da China. Outra farmacêutica chinesa, a Sinopharm teria sido procurada pelo governo brasileiro, mas informou que está com insumos comprometidos para a China.

De acordo com levantamento do site Our World in Data, que acompanha a imunização pelo mundo, apenas nas primeiras duas semana deste mês, a China vacinou mais do que os dois meses anteriores.

A aceleração na vacinação dos chineses começou em abril quando mais de 179 milhões de pessoas foram vacinadas — 114 milhões a mais do que o mês de março. Em maio, já são mais de 366 milhões chineses imunizados, cerca de 254 milhões a mais que abril.

Por ora, o Butantan segue sem sinalização clara sobre envio dos insumos para retomada da produção. A previsão mais otimista é conseguir a liberação dos dez mil litros já prontos na China para a próxima semana. A quantidade será capaz de produzir 18 milhões de doses da Coronavac para ser entregue em junho.

Fiocruz

A Fiocruz havia informado a reportagem da CNN que havia insumo previsto até o início de junho. Mas recebeu a confirmação da China de envio de novas remessas nos próximos dias: 22 e 29 de maio.