Sem novos contratos, Fiocruz pode parar produção de vacina de Oxford em agosto

Fundação precisa fechar acertos por mais IFA importado da China e para a produção nacional de insumos

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
21 de maio de 2021 às 16:42 | Atualizado 24 de maio de 2021 às 17:10
Vacina de Oxford/Astrazeneca
Vacina de Oxford/Astrazeneca
Foto: Luiz Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo (5.fev.2021)

Sem a assinatura dos contratos, a Fiocruz corre o risco de não entregar vacinas contra Covid-19 a partir do mês de agosto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

A CNN apurou, no entanto, que a Fundação Oswaldo Cruz tem a expectativa de assinar, na próxima semana, dois novos contratos com a AstraZeneca, farmacêutica que detém a tecnologia da vacina de Oxford contra a Covid-19.

Um contrato prevê prorrogar o envio de mais Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da China. O outro, é para a Fiocruz poder receber da farmacêutica o que falta de tecnologia para que o Brasil consiga produzir a vacina 100% nacional.

Veja o panorama da atual situação: 

Sobre a transferência de tecnologia: 

O contrato da transferência de tecnologia entre Fiocruz e AstraZeneca não avança porque esbarra em direito de propriedade intelectual e leis internacionais. AstraZeneca não nos explica. Fiocruz nos disse ontem que a previsão é assinar no fim do mês, como noticiamos no dia 14 de maio.

O prazo inicial era para assinar em fevereiro. Desde setembro que a Fiocruz alega que o contrato de transferência total de tecnologia está em fase final de discussão.

E Pazuello chegou a anunciar que o contrato fora fechado em fevereiro numa cerimônia na Fiocruz

Plano B: 

Enquanto o contrato não é assinado, Fiocruz tenta prolongar o contrato com a AstraZeneca de envio de IFAs. Apesar dos atrasos, a AstraZeneca tem acordo para fornecer IFA para Fiocruz até o mês de junho, o que garante a produção de doses até julho. Para evitar interrupção na produção de a partir do fim do contrato de IFA, a Fiocruz quer garantir mais insumos, numa espécie de prolongamento do atual contrato. 

Por que o prolongamento é necessário?

Porque a produção nacional do IFA ainda não deslanchou. A previsão do melhor dos cenários é que a vacina 100% nacional seja entregue ao PNI em outubro. 

Plano C:

Fiocruz contava que receberia as 8 milhões de doses prontas, acordadas com o Instituto Sérum, e que ainda não chegaram ao Brasil. Mas diante da sinalização de que a Índia não irá liberar vacinas até outubro, a Fiocruz já vê como muito remota a possibilidade. 

Problema real: 

Existe risco de a produção parar a partir de agosto, caso novos IFAs não sejam enviados. Se o contrato de transferência de tecnologia for assinado até o final de maio, a Fiocruz informa que consegue entregar vacina nacional a partir de outubro. No entanto, com esse panorama ficaremos sem doses em agosto e setembro.

Vacinação contra Covid-19

As vacinas contra a Covid-19 garantem proteção porque previnem a doença, especialmente nas formas graves, reduzindo as chances de morte e internações.

Embora não impeçam o contágio e nem a transmissão do vírus, a vacinação é essencial, já que induz o sistema de defesa do corpo a produzir imunidade contra o coronavírus pela ação de anticorpos específicos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).