Variante Lambda ainda não é considerada preocupante, ressaltam especialistas

Infectologista defende investimento em sequenciamento genético para agilizar identificação de cepas

Mylena Guedes*, da CNN, no Rio
10 de julho de 2021 às 14:32
Profissional da Fiocruz realiza teste PCR da Covid-19 em morador
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Foto: Acervo Fundação Oswaldo Cruz

Uma nova variante do coronavírus, denominada Lambda (C.37), tem se espalhado rapidamente pela América do Sul, podendo, inclusive, se tornar dominante no continente americano, de acordo com estudo realizado por pesquisadores peruanos. Especialistas ouvidos pela CNN, no entanto, ressaltam que, até o momento, essa nova cepa não é considerada preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explica que, diferente da variante Gama (P.1, originária do Brasil), a cepa descoberta no Peru em dezembro do ano passado ainda é classificada como variante de interesse (VOI, na sigla em inglês) e que por enquanto não há indícios que seja mais letal.

“Todas as mutações que alteram a proteína original são chamadas em um primeiro momento de variante de interesse, porque podem se tornar muito contagiosas. Elas ocorrem em diversos países com frequência e devem ser analisadas. As cepas passam a ser consideradas de preocupação somente quando ganham protagonismo, ou seja, apresentam uma alta taxa de transmissão em um grau de significância para a saúde pública global”, disse.

Entre as 20 nações latino-americanas, sete registraram a variante Lambda, que já representa 81% dos casos confirmados no Peru. No artigo “A emergência SARS-CoV-2 da variação Lambda (C.37) na Ámérica do Sul” pesquisadores apontam que a expansão da cepa ocorreu na presença das centenas de linhagens em circulação, sugerindo uma transmissibilidade aumentada, contudo, a pesquisa afirma que são necessários dados epidemiológicos adicionais para “avaliar a transmissão, virulência e propriedades de escape imunológico” da nova variante.

Ainda segundo Kfouri, é preciso investir em sequenciamento genético para que as cepas sejam identificadas de forma veloz. “No Brasil, a gente sequencia muito pouco. Nossa amostragem é pequena e, por isso, detectamos e avaliamos as mutações de forma tardia”, afirma o médico. 
Em relação ao efeito das vacinas aprovadas contra a Lambda, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, disse que, ao que tudo indica, os imunizantes têm capacidade de neutralizar a cepa.

“É claro que terá uma alteração na porcentagem de eficácia para cada variante, o que também depende da marca da vacina, mas, aparentemente, as pessoas que receberam as doses estarão imunizadas também contra a Lambda”, afirma.

O infectologista ressalta, porém, que ainda não há dados que comprovem a imunidade contra a variante nem a gravidade que ela representa.

*Sob supervisão de Adriana Freitas