8 em cada 10 pessoas em todo o mundo sofrem de hérnia de disco, aponta OMS

Lesão na coluna também pode acometer jovens e está associada a sedentarismo e peso acima do adequado

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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Na edição desta segunda-feira (14) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes conversou sobre os casos da chamada hérnia de disco, uma lesão na coluna em que discos da vértebra pressionam algum nervo causando dor intensa.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), oito em cada dez pessoas no mundo sofrem de hérnia de disco. Para a surpresa de muitos, porém, o quadro também pode atingir pessoas jovens.

Em entrevista à CNN, o ortopedista e cirurgião de coluna Luciano Miller explicou os motivos. “A hérnia de disco pode acometer jovens. Geralmente os fatores de risco são obesidade, sedentarismo, exercícios extenuantes sem período de descanso e também traumas na coluna vertebral.”

“Associado a isso, nos jovens têm predisposição genética, ou seja, algum histórico familiar de hérnia de disco e esse disco pode ser formado um pouco mais frágil. Esses fatores de risco acabam agindo com mais facilidade, ocasionando rompimento do colágeno dessa membrana do disco, causando a hérnia de disco”, completou.

Fernando Gomes esclareceu que a sobrecarga na espinha dorsal é natural no corpo humano e que a hérnia de disco ocorre quando o ânulo – estrutura que realiza a contenção da parte mais viscosa do disco – é rompido, comprimindo raízes nervosas.

“A coluna vertebral tem uma constituição muito inteligente para garantir o que a evolução das espécies nos deu, que é a capacidade de andar na postura bípede”, afirmou Gomes.

Entre os principais sintomas estão o formigamento dos membros, dores lombares e nas pernas, perda de força e a sensibilidade alterada. As manifestações da lesão podem variar dependendo da região da coluna onde a lesão ocorreu.

“Fica bastante evidente que existe uma estrutura anatômica muito inteligente, muito bem arquitetada com espaços diminutos e quando existe um conflito de ambiente, com mais de uma estrutura onde não deve estar, você pode ter uma compressão nervosa, que pode trazer todas essas alterações que necessitam, obviamente, de um médico para fazer um diagnóstico e estabelecer um tratamento”, disse.

Gomes alertou que o diagnóstico da hérnia de disco inclui a realização de exames de imagem como o raio-x. Além disso, entre 30% e 40% das pessoas com mais de 30 anos podem ter uma alteração sugestiva de hérnia de disco – o que não significa necessariamente uma doença que precise de intervenção médica.

Por outro lado, quando o paciente possui a manifestação clínica da hérnia de disco comprimindo o nervo, o tratamento inclui medicamentos, fisioterapia, acupuntura e até mesmo, em alguns casos, a cirurgia.

“Existe todo um caminho a ser percorrido pela pessoa que tem esse diagnóstico. Mas, é lógico, fica o alerta de que é importante manter o peso dentro do normal, evitar o sedentarismo e, obviamente, cuidar do corpo físico – que representa a possibilidade que temos de interagir com o meio ambiente de forma saudável”, finalizou.

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