África do Sul diz que está sendo punida pela detecção precoce da variante Ômicron

País tem alguns dos maiores epidemiologistas e cientistas do mundo, que conseguiram detectar variantes emergentes do coronavírus e suas mutações no início de seu ciclo de vida

Paciente recebe vacina contra Covid-19 na África do Sul
Paciente recebe vacina contra Covid-19 na África do Sul 27/08/2021 REUTERS/Siphiwe Sibeko

Promit Mukherjeeda Reuters

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A África do Sul disse, neste sábado (27), que estava sendo punida por sua capacidade avançada de detectar antecipadamente novas variantes da Covid-19, já que proibições de viagens e restrições impostas por causa da nova variante Ômicron ameaçam prejudicar o turismo e outros setores da economia.

A África do Sul tem alguns dos maiores epidemiologistas e cientistas do mundo, que conseguiram detectar variantes emergentes do coronavírus e suas mutações no início de seu ciclo de vida. A variante Ômicron foi descoberta pela primeira vez na África do Sul e desde então foi detectada na Bélgica, Botswana, Israel e Hong Kong.

“Esta última rodada de proibições de viagens é semelhante a punir a África do Sul por seu sequenciamento genômico avançado e a capacidade de detectar novas variantes mais rapidamente”, disse o Ministério de Relações Internacionais e Cooperação.

“A ciência excelente deve ser aplaudida e não punida”, disse o órgão em um comunicado.

Muitas nações correram na sexta e no sábado para anunciar as restrições às viagens para a África do Sul e outros países da região.

O Ministério das Relações Exteriores observou que, embora a nova variante também tenha sido detectada em outros países, a reação global a esses países foi “totalmente diferente” dos casos no sul da África.

A nova variante  foi anunciada pela primeira vez na quarta-feira por uma equipe de cientistas da África do Sul que disse ter detectado uma variante que poderia escapar da resposta imunológica do corpo e torná-la mais transmissível.

Na sexta-feira (26), a Organização Mundial de Saúde a nomeou Ômicron e o designou como uma “variante de preocupação” – seu nível mais sério – dizendo que as evidências preliminares sugerem um risco aumentado de reinfecção.

“Nossa preocupação imediata é o dano que essas restrições estão causando às famílias, às indústrias de viagens e turismo e aos negócios”, disse o ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Naledi Pandor, em comunicado.

O governo está se envolvendo com países que impuseram proibições de viagens para persuadi-los a reconsiderar, acrescentou.

Na sexta-feira, a OMS alertou países contra a imposição apressada de restrições de viagens vinculadas aos variante, dizendo que eles deveriam ter uma “abordagem científica e baseada no risco”.

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