‘Aglomerações são uma grande irresponsabilidade’, diz infectologista David Uip

Ex-coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo fala do aumento do número de casos, vacinas e ameaças à família

Da CNN, em São Paulo

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O CNN Nosso Mundo desta sexta-feira (19) entrevistou David Uip, médico infectologista e professor titular da Faculdade de Medicina do ABC. Uip é ex-coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo e ex-secretário da Saúde do estado.

O médico teve a Covid-19 logo no início da pandemia, em abril de 2020, aos 67 anos. Hoje imunizado com as duas doses da Coronavac, ele responsabiliza aglomerações pelo aumento do número de casos. Ele também fala sobre as vacinas e recorda o enfrentamento contra outras pandemias.

“Nesse momento a sociedade também é responsável, não tem sentido essas aglomerações. Fico abismado de ver uma casa de três andares cheia de pessoas sem distanciamento, sem máscara”, criticou o médico.

“Estamos começando a ver jovens também internados, em UTI entubados. Além dessa gravidade, o jovem se contamina e contamina também pais e avós. É uma grande irresponsabilidade. É inadmissível que as pessoas sejam irresponsáveis ao ponto de se aglomerarem, adquirirem o vírus e transmitirem para outras”, conta.

O infectologista David Uip (19.fev.2021)
O infectologista David Uip (19.fev.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Ele continua atuando no centro de contingência e também cuida de pacientes com o novo coronavírus no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista.

Os parentes foram contra o retorno, confessa. “A família ficou desgostosa. Ela foi muito maltratada, quase sucumbiu por conta de fake news, ameaças, minha esposa atacada, filhos ameaçados, meu neto de 12 anos dizia ‘vão matar meu avô’. Foi complicado. Mas não me arrependo da decisão”.

Formado há 45 anos, essa não é a primeira pandemia que encara. “Tenho uma longa vivência em lidar com situações anormais, de muito peso. Eu vivi desde o primeiro caso a pandemia da Aids. O primeiro brasileiro que contaminou outro brasileiro foi visto por nós em 1982. E na sequência as epidemias: zica, sarampo, dengue, chikungunya…  Tenho uma vida pandêmica”, brinca.

A disputa política quando o assunto é vacina o incomoda.

“Não combina embate político em cima de uma necessidade mundial. Não entendo essa mistura política com ciência, é totalmente desnecessária, descabida, não tem sentido. E quando vejo que alguém rouba material que vai ser usado para a saúde, tira proveito ou superfatura, fico chocado. Isso me gera uma indignação que não tem limite”, argumentou.

Uip defende que o Brasil deveria ter feito contratos para vacinas com mais laboratórios.

“E contrato não significa que você paga, mas que se compromete. Você faz um compromisso de compra e efetiva o pagamento quando ela estiver aprovada e disponibilizada. Deveríamos ter o maior número possível, não importa de onde venha, desde que aprovada pela Anvisa. Acho que vamos ter muitas vacinas e problemas para todos, o problema é o tempo”, afirmou.

CNN Nosso Mundo

Ele foi entrevistado por Thais Herédia, Débora Freitas e Lia Bock, e quem comanda a atração é Luciana Barreto. O CNN Nosso Mundo é exibido às sextas-feiras, a partir das 22h30. 

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Publicado por Guilherme Venaglia

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