Anúncio de suspensão de vacina para adolescentes gera medo, diz infectologista

Médico que coordenou investigação afirma que não há relação entre morte de adolescente e vacina Pfizer

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O Ministério da Saúde orientou a suspensão de vacinação de adolescentes sem comorbidades após a morte de uma jovem de 16 anos. No entanto, a causa foi investigada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que informou não haver relação entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer. A morte seria consequência de uma doença chamada de “Púrpura Trombótica Trombocitopênica” (PPT).

De acordo com o infectologista do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Instituto Emílio Ribas, Eder Gatti, que foi quem coordenou a investigação, a decisão do Ministério foi precipitada e pode gerar receio nas pessoas.

“O problema de um anúncio como este é que ele gera medo. Ele gera insegurança por parte da população frente a estratégia de vacinação. Isso faz aumentar uma coisa que a gente chama de hesitação vacinal. As pessoas agora vão pensar duas vezes antes de se vacinar, por conta do anúncio que foi feito, e certamente isso pode impactar nossas coberturas vacinais.”

Eder Gatti explica que quando há ocorrência de uma morte em um intervalo de tempo curto da aplicação da vacina, é necessário, sim, analisar a fim de entender se há relação ou se é apenas uma coincidência temporal. “Acontece de termos eventos adversos pós-vacinação sem relação com a vacina.”

“Um anúncio como esse [da suspensão] só pode ser feito quando temos absoluta certeza do que está acontecendo. Quando avaliamos, encontramos outros casos, quando de fato há um sinal de alerta, há um sinal de segurança, e aí sim tomamos uma medida tão drástica quanto essa.”

O médico acredita já há uma grande disseminação de notícias faltas circulando entre as pessoas e, por isso, o anúncio da retomada será desafiador. “Se o ministério voltar atrás, e eu espero que volte, certamente as pessoas vão se questionar. Isso é muito ruim. Então, eu acho que o ministério da saúde errou. Ainda é tempo de corrigir o seu erro.”

Na opinião dele, quem não seguiu a suspensão foi mais cauteloso. “Eu acho que os estados e municípios que mantiveram a vacinação e sustentaram sua posição estão corretos porque os fatos que foram anunciados não justificavam a suspensão como foi feita.”

O médico recomenda que todos os adolescentes se vacinem e aqueles que já receberam a primeira dose devem completar o esquema vacinal. “É um grupo populacional que contribui para a manutenção da doença na população. Se a gente tem um nicho de pessoas que não está vacinado isso garante que a doença continue circulando na população.”

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