Aplicação da 3ª dose sem resposta da ciência seria ‘risco logístico’, diz virologista

À CNN, Flavio Fonseca afirmou que em algum momento a dose de reforço deverá ser aplicada, mas ainda depende de estudos

Vacinação contra a Covid-19 no Recife (PE)
Vacinação contra a Covid-19 no Recife (PE) Rodolfo Loepert/PCR

Amanda GarciaBel Camposda CNN

São Paulo

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Na avaliação do virologista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Flavio Fonseca, a aplicação de uma terceira dose ou dose de reforço contra a Covid-19 sem resposta da ciência traria um “risco logístico”.

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (24), ele afirmou que “em algum momento”, haverá a necessidade da aplicação de doses de reforço, “assim como acontece com o imunizante contra a influenza”.

O maior desafio, no entanto, é o “quando”, qual o melhor momento para começar. “Para a gente determinar isso, precisa entender a longevidade da resposta imune, e isso ainda não está claro. As primeiras pessoas a receberem vacinas foram há um ano, no Brasil iniciamos em 2021, precisamos de mais tempo”.

De acordo com o virologista, é uma questão de custo-benefício: “Seria um risco logístico aplicar [a dose de reforço], sem necessidade real, avalizada pela ciência”.

“Especialmente quando consideramos que uma parcela grande da população mundial sequer recebeu a primeira dose, é um desperdício de recurso”, defendeu, ao dizer que isso também é uma “questão ética”.

Da mesma forma, Flavio explica que “há fundamentação científica” para adotar a estratégia da intercambialidade – com a aplicação da primeira dose de um imunizante e da segunda com outro.

“Há estudos com intercambialidade, o chamado sistema heterólogo, que mostram que é uma estratégia segura e eficaz, além de ser possível, com ela, acelerar a vacinação da população”, disse.

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