Aplicação de mesma dose de adulto da Coronavac em crianças é segura, diz médica

Professora da USP e pediatra, Ana Escobar diz que autorização da Anvisa para uso da Coronavac em crianças é “excelente”

Pedro Pimenta*Raphael Coraccinida CNN

Em São Paulo

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A médica pediatra e professora da Faculdade de Medicina da USP Ana Escobar disse, em entrevista á CNN nesta sexta (21), que a aplicação da dose integral da Coronavac em crianças é eficaz contra a Covid-19 e não oferece riscos.

“Para conter o tsunami da Ômicron, não poderia ter uma notícia melhor para todos os pais e para todas as pessoas”, diz a médica sobre a autorização da Anvisa para o uso da Coronavac em crianças a partir dos seis anos.

Apenas crianças e adolescentes até os 17 anos que são imunossuprimidos não estão liberados para receber o imunizante, segundo a agência.

A especialista, que classificou a decisão da Anvisa como “excelente”, afirma que o uso da Coronavac em uma nova faixa etária, ainda majoritariamente descoberta, pode ajudar a acelerar a proteção total da população.

Ela acrescenta que o fato de a dose ser a mesma utilizada em adultos não oferece riscos às crianças. “Há, sim, outras vacinas cujas doses são exatamente as mesmas (para crianças e adultos)”, explica a especialista.

A Coronavac é desenvolvida com tecnologia de vírus inativado, como tantas outras vacinas já utilizadas pelas crianças, como a Salk, utilizada para proteger crianças e adultos da poliomielite, diz Ana Escobar.  Além da pólio, ela menciona doenças como sarampo, caxumba, varíola, rubéola, catapora, meningite, entre outras, que são prevenidas em crianças e adultos com imunizantes de mesma dosagem.

A médica explica que a Coronavac já foi administrada na China em cerca de 200 milhões de crianças na faixa etária em que será aplicada no Brasil.

“É para a turma ficar tranquila com isso. A agência (Anvisa) estuda isso seriamente”, completa. “É mais uma vacina disponível para as nossas crianças e é fundamental que todos se vacinem”, diz.

A Prefeitura de São Paulo irá começar, no sábado (22), a vacinação infantil entre 6 e 11 anos com a Coronavac. O público estimado da faixa etária é de 919.553 pessoas. Para crianças de 5 anos e imunossuprimidos, continuam sendo ministradas exclusivamente doses da Pfizer.

Diferença para a Pfizer

A especialista explica que a diferença para a vacina da Pfizer está na metodologia para o desenvolvimento da vacina.

Essa diferença, segundo Ana Escobar, é o que implica que a Pfizer tivesse que desenvolver um imunizante específico para as crianças, mas que ambas são seguras e eficazes contra o vírus.

“Não precisa escolher a vacina que vão dar, as duas são ótimas e (as crianças) vão se beneficiar das duas”, diz a pediatra.

* Sob supervisão de Elis Franco

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