Após apagão, InfoGripe registra alta de 135% em casos de síndrome respiratória grave

Nova edição do boletim foi divulgada neste sábado, após ataque cibernético causar instabilidade nos dados do Ministério da Saúde

Rayane RochaStéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aumentou 135% entre as três semanas finais de novembro e as últimas três semanas. A informação é do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que voltou a ser publicado neste sábado (15), mais de um mês após a edição anterior.

O serviço havia ficado suspenso após um ataque hacker que atingiu as plataformas do Ministério da Saúde, o que afetou o Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), de onde são extraídos os dados.

De acordo com a Fiocruz, o número de casos passou de 5,6 mil no primeiro período para 13 mil no segundo. O estudo destaca que apenas o estado de Roraima apresenta tendência de queda, situação diferente das outras 26 unidades da federação. O Rio de Janeiro está entre as duas situações: apresenta cenário de estabilidade, mas tem indicativos de aumento no curto prazo, o que não ocorre no estado do Norte.

Neste momento, a tendência é de intensificação deste panorama em quase todo o país. A longo prazo, praticamente todos os estados têm probabilidade de mais de 95% na acentuação dos casos.

O balanço apontou avanço significativo da SRAG em todas as faixas etárias a partir dos 10 anos. A análise leva em consideração os cenários a longo prazo, relativo às seis semanas anteriores à divulgação, e a curto prazo, referente às últimas três semanas. Nos dois recortes, o quadro de evolução de casos se manteve. Segundo a análise, os dados laboratoriais revelam que a intensificação foi motivada pela crescente nos diagnósticos positivos de Covid-19.

Pesquisador do Programa de Computação Científica (PROCC/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes entende que o cenário, de avanço da variante Ômicron, inspira muitos cuidados. Na terça-feira (11), o Ministério da Saúde admitiu que a linhagem já se tornou prevalente no país.

“É muito preocupante. A gente tem a confirmação do primeiro sinal observado na atualização anterior, com o início da retomada do crescimento de internações por problemas respiratórios em todo o país. Quando olhamos os resultados dos exames laboratoriais, observamos duas frentes importantes. De um lado, a volta dos casos de Influenza A gerando número importante de internações por SRAG. E, do outro, no final de dezembro, a Covid-19, com o mesmo efeito”, afirma Gomes.

O epidemiologista destaca ainda a importância do acesso à informação, não apenas para o processo de tomada de decisão das autoridades no fim do ano, como medidas restritivas para a realização de queimas de fogos e eventos públicos para celebrar o Réveillon. Para ele, essas informações são fundamentais também para a população entender as medidas e poder aderi-las de maneira consciente.

“De posse da informação do cenário epidemiológico preciso que estava ocorrendo, semana após semana ao longo do mês de dezembro, a população poderia ter tomado decisões distintas a respeito de que tipo de eventos poderia organizar ou participar. Mesmo com relação a deslocamentos. Decidiria se encararia viagens longas, de ônibus, e se enfrentaria aeroportos. Essas decisões têm impacto fundamental na curva de casos”, conclui Gomes.

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